O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026, passando de 2,0% para 1,6%. A atualização foi divulgada nesta segunda-feira (19) no relatório Perspectiva Econômica Mundial (World Economic Outlook, WEO), divulgado trimestralmente pela instituição.
Para 2025, o FMI manteve a estimativa em 2,2%, o que indica uma desaceleração acentuada no ano seguinte. A revisão reflete principalmente três fatores principais:
Inflação mais persistente do que o esperado, ainda acima da meta do Banco Central (3,0% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo);
Manutenção de juros elevados por período mais longo, com a Selic projetada em torno de 11,25% ao final de 2026;
Desaceleração da economia global, especialmente em parceiros comerciais importantes como China e Estados Unidos, além de incertezas com políticas comerciais protecionistas anunciadas pelo governo Trump.
O relatório destaca que o Brasil continua sendo uma das maiores economias emergentes, mas enfrenta desafios estruturais como alta dívida pública (cerca de 78% do PIB), baixa produtividade e dependência de commodities. O FMI elogia os avanços fiscais recentes, como o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária, mas alerta que a execução rigorosa será essencial para recuperar a confiança dos investidores.
Outras projeções do FMI para o Brasil:
Inflação (IPCA): 4,5% em 2025 e 3,8% em 2026 (acima do centro da meta em ambos os anos);
Taxa de desemprego: queda gradual para 7,2% em 2026;
Balança comercial: superávit projetado em US$ 55 bilhões em 2026, sustentado por exportações de commodities.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, comentou em coletiva que “o Brasil tem potencial para crescer acima de 2% no médio prazo, mas isso exige reformas continuadas, controle fiscal rigoroso e ambiente de negócios mais favorável”.
O mercado reagiu com cautela à revisão. Após o anúncio, o dólar subiu ligeiramente frente ao real, e o Ibovespa operava em leve baixa no início da tarde. Economistas consultados pelo Valor consideram a projeção do FMI “realista”, mas alguns apontam que o cenário pode melhorar se houver corte mais agressivo de juros pelo Banco Central no segundo semestre de 2026.
O relatório completo do WEO destaca que o crescimento global deve ficar em 3,2% em 2026, com emergentes crescendo 4,2%. Para a América Latina como um todo, a previsão é de 2,5% em 2026, com o Brasil abaixo da média regional. O próximo relatório do FMI está previsto para abril de 2026.
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