Brasil intensifica desdolarização e reduz exposição ao dólar americano

País vendeu US$ 61,1 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA, ampliou reservas de ouro e iniciou comércio de soja com China em moedas locais, desafiando hegemonia financeira dos Estados Unidos
Por: Brado Jornal 27.jan.2026 às 15h22
Brasil intensifica desdolarização e reduz exposição ao dólar americano
Foto: Dimas Ardian/Bloomberg
O Brasil intensificou ações para reduzir a dependência do dólar americano, tanto em reservas financeiras quanto no comércio exterior, em um movimento que contrasta com a hegemonia tradicional dos Estados Unidos no sistema monetário global.

Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o país liquidou US$ 61,1 bilhões em títulos do Tesouro americano, equivalente a aproximadamente 27% de sua exposição nesses ativos, a maior redução proporcional entre as principais economias no período, superando até mesmo os ajustes feitos pela Índia e pela China (esta última ainda detém volume absoluto maior).

A venda ocorreu em contexto de juros altos nos EUA, o que normalmente atrai investidores institucionais em busca de rendimento seguro, reforçando a interpretação de que a medida tem caráter estratégico, além do financeiro.

Ao mesmo tempo, o Banco Central brasileiro ampliou as reservas em ouro, incorporando 43 toneladas em apenas três meses, elevando o estoque total para cerca de 172 toneladas. Essa diversificação segue tendência observada em outros emergentes, como Índia e China.

No âmbito comercial, o Brasil e a China iniciaram a liquidação de transações de soja em moedas locais (real e yuan), eliminando o dólar como intermediário. O movimento é relevante porque envolve o maior exportador mundial do grão (Brasil) e o principal importador global (China, responsável por 60% a 66% da demanda internacional), utilizando mecanismos como linhas de swap cambial e sistemas alternativos de pagamento.

Essas iniciativas, venda de Treasuries, reforço em ouro, comércio bilateral sem dólar e fortalecimento de estruturas dos BRICS, indicam que a desdolarização deixou de ser mera retórica diplomática e se consolidou como política ativa. Apesar de advertências do presidente americano Donald Trump contra os esforços do bloco, os países membros avançam na redução da exposição à moeda norte-americana, apontando para uma reestruturação gradual da arquitetura financeira internacional nos próximos anos.


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