Ação alega que corretoras omitiram riscos de CDBs emitidos pelo Banco Master

Investidores processam grandes corretoras por suposta falta de informação sobre perigos dos títulos de renda fixa do Banco Master, que foram liquidados com prejuízo bilionário após fraudes detectadas pelo Banco Central
Por: Brado Jornal 28.jan.2026 às 09h13
Ação alega que corretoras omitiram riscos de CDBs emitidos pelo Banco Master
Divulgação
Um grupo de investidores ingressou com ação coletiva contra várias das maiores corretoras do país, acusando-as de omissão grave ao não alertar adequadamente sobre os riscos envolvidos na aplicação em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Banco Master.

A petição, protocolada na Justiça Federal de São Paulo, sustenta que as instituições financeiras promoveram os papéis como investimentos de baixo risco e alta rentabilidade, equiparáveis a títulos públicos ou CDBs de bancos grandes, sem destacar a exposição real ao crédito de uma instituição de porte médio e com histórico de governança questionada. Os autores afirmam que a falta de transparência e a ausência de alertas claros sobre a possibilidade de perda total do principal levaram milhares de clientes a concentrar aplicações no emissor.

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após a Operação Compliance Zero da Polícia Federal revelar emissão irregular de títulos sem lastro suficiente, fraudes contábeis e movimentações suspeitas que totalizaram mais de R$ 12 bilhões em operações questionadas.
Com a liquidação, os investidores em CDBs pós-fixados ficaram expostos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) apenas até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, deixando boa parte dos aportes sem cobertura e gerando perdas significativas.

A ação coletiva pede a responsabilização solidária das corretoras por danos materiais e morais, além da devolução integral dos valores investidos corrigidos, argumentando que as plataformas deveriam ter classificado os produtos como de alto risco e exigido alertas explícitos aos clientes antes da aplicação. Entre as corretoras citadas estão nomes de grande porte do mercado varejista de investimentos.

A defesa das instituições acionadas ainda não se manifestou publicamente sobre o processo.
Especialistas em direito do mercado de capitais consultados pela reportagem indicam que o desfecho dependerá da comprovação de que houve falha no dever de informação e adequação de perfil, especialmente após a entrada em vigor de normas mais rígidas da CVM sobre transparência em produtos de renda fixa.


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