O governo federal registrou dívida pública bruta de R$ 10 trilhões ao final de 2025, equivalente a 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (30). O patamar representa o maior nível nominal da série histórica e um avanço de 3,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.
O incremento ocorreu apesar do superávit primário acumulado de R$ 114 bilhões no ano, insuficiente para compensar o impacto dos juros nominais elevados e da rolagem da dívida. Em dezembro, o estoque bruto cresceu R$ 124,3 bilhões, impulsionado principalmente pela emissão líquida de títulos públicos federais e pela apropriação de juros.
A dívida interna federal respondeu pela maior parte do montante, com R$ 9,2 trilhões, enquanto a dívida externa somou R$ 800 bilhões. Entre os fatores que pressionaram o indicador estão o aumento real dos gastos públicos, a desvalorização do real frente ao dólar (que eleva o valor em reais da dívida indexada ao câmbio) e a manutenção de taxas de juros elevadas pelo Banco Central para controle da inflação.
O Tesouro Nacional emitiu R$ 1,8 trilhão em títulos ao longo de 2025, volume superior ao observado em anos anteriores, para financiar o déficit nominal e rolar vencimentos. A participação de títulos prefixados e indexados à inflação aumentou, enquanto a fatia de papéis atrelados à Selic diminuiu ligeiramente, refletindo estratégia de alongamento do perfil da dívida.
Economistas consultados avaliam que o patamar atual de endividamento, próximo de 79% do PIB, limita o espaço fiscal para novas expansões de despesa sem risco de perda de confiança dos investidores. A meta de resultado primário para 2026, fixada em déficit zero pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, será desafiadora diante do crescimento projetado do PIB em torno de 2% e da necessidade de conter despesas obrigatórias.
O governo Lula completa três anos com a dívida bruta superando pela primeira vez a marca de R$ 10 trilhões, indicador que contrasta com a trajetória de redução observada entre 2016 e 2019, quando o percentual caiu de 74% para cerca de 65% do PIB antes da pandemia.
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