EUA negam ocupação da Venezuela em reunião da ONU

Embaixador Mike Waltz classifica operação contra Maduro como medida contra criminosos, promovendo segurança regional
Por: Brado Redação 05.jan.2026 às 15h37
EUA negam ocupação da Venezuela em reunião da ONU
Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images

Durante sessão extraordinária do Conselho de Segurança da ONU nesta segunda-feira (5.jan.2026), convocada para debater a detenção de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) por forças americanas, o representante dos EUA, Mike Waltz, enfatizou que Washington não pretende dominar o território venezuelano. Ele descreveu a iniciativa como focada em combater "fugitivos e traficantes de drogas", citando Maduro e sua companheira Cilia Flores, sem visar o povo ou a nação como um todo.


Waltz argumentou que a ação contribui para maior estabilidade no continente, ao punir Maduro por delitos como "terrorismo, homicídios, chantagens e raptos" contra americanos, além de esforços para desequilibrar o Ocidente. Ele acusou o líder de se beneficiar da pobreza no país e exercer uma "presença prejudicial" na área. O embaixador ainda o rotulou como governante "sem validade", com pleitos eleitorais manipulados, rejeitados por mais de 50 nações, entre elas membros da União Europeia e vários da América Latina.


Os EUA mencionaram o suposto Cartel de los Soles, rede criminosa integrada por militares venezuelanos supostamente chefiada por Maduro, envolvida em "comércio de armamento, narco-terrorismo e distribuição de cocaína e outras substâncias" em esquema global. A gestão repressora foi condenada como "infratora", afetando milhões de cidadãos locais. O propósito central, segundo a delegação, é julgar responsáveis por violações e fortalecer a proteção civil contra grupos de narcoterror.


A INTERVENÇÃO


Donald Trump (Partido Republicano), presidente dos EUA, revelou via Truth Social no sábado (3.jan.2026) a execução de uma incursão armada na Venezuela, resultando na prisão de Maduro e Flores. O general Dan Caine, do Estado-Maior Conjunto, detalhou que a ordem partiu de Trump na sexta-feira à noite (2.jan.2026), com a ofensiva ocorrendo na madrugada seguinte.


A missão incluiu bombardeios em quatro pontos estratégicos, envolvendo 150 aeronaves de combate que partiram de bases variadas e desativaram defesas antiaéreas. Tropas foram levadas por helicópteros a Caracas para efetuar as capturas, em uma duração aproximada de duas horas e vinte minutos. Há controvérsias sobre a legalidade da operação sem aval do Conselho de Segurança da ONU, que Trump considera dispensável, e sem aprovação prévia do Congresso americano. Marco Rubio, secretário de Estado, justificou a ausência de notificação aos legisladores pela urgência.


Não se confirmam vítimas fatais ou feridos. Funcionários venezuelanos relataram óbitos civis, sem dados precisos até agora. Um porta-voz militar dos EUA negou perdas em suas fileiras, sem comentar baixas adversárias.


GESTÃO DA NAÇÃO


Trump indicou à imprensa na tarde de sábado (3.jan.2026) que os EUA gerenciariam provisoriamente a Venezuela até estabelecer uma passagem de poder. Ele priorizou comentários sobre o aproveitamento e comércio de óleo local, sem especificar mecanismos de controle. Pela lei venezuelana, a vice Delcy Rodríguez assumiria as funções.


O presidente americano alegou que Rubio dialogou com Rodríguez, que teria sinalizado colaboração com iniciativas dos EUA. Sobre María Corina Machado, opositora agraciada com o Nobel da Paz em 2025, Trump avaliou que ela carece de base política para liderar.


Em declaração televisionada ao entardecer de sábado (3.jan), Rodríguez rebateu Trump, denunciando a intervenção como atentado à independência venezuelana e defendendo Maduro como autoridade legítima. Ela expressou abertura para laços com o governo Trump, contanto que ancorados em normas internacionais. "Só aceitamos interações assim. Não viraremos dependência de nação alguma", afirmou.



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