O ex-âncora da CNN Internacional Don Lemon foi detido na quinta-feira (29 de janeiro de 2026) por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) em Los Angeles, cidade onde se encontrava para cobrir a cerimônia do Grammy. A prisão ocorreu em razão de sua suposta participação em manifestações contra o ICE que aconteceram em St. Paul, Minnesota, dentro de uma igreja local.
De acordo com o jornalista, ele estava no local exclusivamente a trabalho, produzindo material jornalístico sobre o ato de protesto. Em vídeo divulgado em seu canal no YouTube, Lemon relatou que a equipe realizou cobertura convencional: registrou os acontecimentos, conversou com participantes, incluindo o pastor da igreja e representantes da organização envolvida. “No instante em que o protesto teve início na igreja, nós cobrimos os fatos de forma jornalística, entrevistando as pessoas presentes para relatar o que estava acontecendo”, explicou.
A defesa de Lemon, conduzida pelo advogado Abbe Lowell, classificou a detenção como uma grave violação à Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de imprensa. Em nota oficial, Lowell afirmou que o trabalho de Don Lemon em Minneapolis seguiu o padrão de sua carreira de três décadas como jornalista, protegido constitucionalmente. “A Primeira Emenda existe justamente para resguardar repórteres que buscam revelar a verdade e cobrar responsabilidade de quem exerce poder”, declarou o advogado.
A equipe jurídica vai além e interpreta a prisão como uma manobra deliberada para desviar o foco das dificuldades e controvérsias enfrentadas pelo ICE. “Trata-se de uma tentativa evidente de desviar a atenção das inúmeras crises que essa agência atravessa atualmente”, acrescentou Lowell, garantindo que Lemon vai contestar as acusações com determinação nos tribunais.
A CNN emitiu posicionamento oficial sobre o caso, manifestando “profunda preocupação” com os impactos na liberdade de imprensa e nos direitos previstos na Primeira Emenda. A emissora lembrou que o Departamento de Justiça já havia buscado, sem êxito, mandados de prisão contra Lemon e outros profissionais que cobriram os eventos em Minnesota. Na ocasião, a Justiça federal concluiu não existir “qualquer evidência” de comportamento criminoso ligado à atividade jornalística deles.
A rede reforçou que a Constituição assegura aos jornalistas o direito de testemunhar e relatar fatos em tempo real, no interesse público. “A Primeira Emenda protege repórteres que acompanham notícias e eventos conforme eles se desenrolam, permitindo reportagens livres”, destacou a CNN. A emissora condenou as ações do Departamento de Justiça como “inaceitáveis” e anunciou que acompanhará de perto o desenrolar do processo.
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