Uma onda de condenações surgiu após a divulgação de um vídeo na conta pessoal de Donald Trump na rede Truth Social, onde os rostos de Barack Obama e Michelle Obama foram sobrepostos a corpos de macacos por um breve momento. A publicação, que ficou online por quase 12 horas entre a noite de quinta-feira (5) e a tarde de sexta (6), gerou repúdio tanto de democratas quanto de republicanos.
Entre as vozes críticas, o senador republicano Tim Scott, único negro no partido no Senado, qualificou o conteúdo como "a coisa mais racista já vista saindo da Casa Branca". O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, democrata, rotulou o ato como "comportamento repugnante". Ben Rhodes, ex-conselheiro de Obama, usou o X para afirmar que Trump e seus apoiadores racistas serão vistos como uma "mancha" na história, enquanto os Obamas permanecerão como figuras admiradas.
O material, de cerca de um minuto, repetia alegações infundadas sobre fraudes nas eleições de 2020 envolvendo a Dominion Voting Systems, sem qualquer ligação dos Obamas com o tema. Ao fundo, tocava a música "The Lion Sleeps Tonight", e a imagem aparecia no final, como parte de uma teoria conspiratória que retratava Trump como o "Rei da Selva" e democratas em papéis de "O Rei Leão".
Inicialmente, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, minimizou o episódio em nota à AFP, descrevendo-o como um "meme da internet" e pedindo que a mídia parasse com a "indignação falsa" para focar em assuntos relevantes aos americanos. No entanto, um representante da Casa Branca informou à Reuters que o post foi feito "de forma errônea" por um funcionário do governo, levando à sua remoção.
Até o momento, Trump não comentou publicamente o incidente. O vídeo acumulou milhares de interações positivas na plataforma antes de ser excluído.
No contexto de seu segundo mandato, Trump tem ampliado o emprego de imagens criadas por inteligência artificial em postagens provocativas, visando energizar sua base conservadora. Exemplos anteriores incluem um clipe de IA mostrando Obama preso no Salão Oval com uniforme de detento, e outro com Hakeem Jeffries, líder democrata negro na Câmara, usando bigode falso e chapéu, o que Jeffries denunciou como racista.
Além disso, o governo Trump enfrenta acusações de opositores por promover uma ofensiva contra iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Uma ação inicial foi o fim de todos os programas federais de DEI, abrangendo as Forças Armadas, e a remoção de livros sobre discriminação histórica das bibliotecas de academias militares. Essas políticas surgiram do movimento pelos direitos civis dos anos 1960, impulsionado por afro-americanos em busca de igualdade após séculos de escravidão e segregação institucional.
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