Influenciador paraibano Hytalo Santos é detido em São Paulo por suspeita de exploração de menores

Operação conjunta resulta na prisão de Hytalo Santos e Israel Nata Vicente
Por: Brado Jornal 15.ago.2025 às 09h58
Influenciador paraibano Hytalo Santos é detido em São Paulo por suspeita de exploração de menores
Hytalo Santos e Euro Foto: @hytalosantos via Instagram
O influenciador digital Hytalo Santos, natural da Paraíba, e seu marido, Israel Nata Vicente, foram presos em São Paulo nesta sexta-feira, 15 de agosto de 2025. A ação decorre de investigações conduzidas pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que apuram denúncias de exploração e exposição indevida de crianças e adolescentes em conteúdos veiculados nas redes sociais. As acusações ganharam destaque após o youtuber Felca, com mais de 4 milhões de inscritos, publicar um vídeo no dia 6 de agosto denunciando práticas de “adultização” envolvendo menores nos conteúdos de Hytalo.

A operação que culminou nas prisões foi coordenada pelo MPPB, em conjunto com o MPT, a Polícia Civil da Paraíba, a Polícia Civil de São Paulo e a Polícia Rodoviária Federal. Os mandados de prisão foram emitidos pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da 2ª Vara da Comarca de Bayeux, na Paraíba. A investigação também resultou em medidas judiciais, como a suspensão das redes sociais de Hytalo, a desmonetização de seus vídeos e a proibição de contato com os adolescentes mencionados nos processos.

Investigações e medidas judiciais

As apurações do MPPB tiveram início em 2024, antes mesmo da denúncia de Felca, motivadas por relatos de moradores do condomínio onde Hytalo residia em Bayeux. Segundo a promotora Ana Maria França, responsável pelo caso em Bayeux, vizinhos reportaram que adolescentes participavam de festas com bebidas alcoólicas e apareciam em vídeos com comportamentos inadequados, como topless e danças de cunho sensual. “Por exemplo, muitos exemplos até tarde da noite atrapalhando o sossego dos condôminos. Transitando dentro do condomínio, nas ruas do condomínio, com adolescentes. Fazendo topless na moto para exibir tatuagem nas costas”, relatou a promotora.

Em João Pessoa, o promotor João Arlindo conduz outra investigação, que analisa a possibilidade de Hytalo ter oferecido benefícios, como celulares e pagamento de aluguel, a familiares de menores em troca de sua emancipação. “O relatório do inquérito vai ser finalizado na próxima semana”, afirmou João Arlindo ao g1. Nos dois processos, Hytalo foi ouvido e negou as acusações, enquanto os adolescentes prestaram depoimento apenas na apuração de João Pessoa, para evitar revitimização.

Na terça-feira, 12 de agosto, a Justiça da Paraíba determinou a suspensão dos perfis de Hytalo nas redes sociais e a desmonetização de seus conteúdos, atendendo a pedido da promotora Ana Maria França. A decisão também proíbe o influenciador de manter contato com os menores citados nos processos, medida de caráter provisório. Na quinta-feira, 14 de agosto, a Justiça apreendeu um computador e celulares na residência de Hytalo em João Pessoa, após uma tentativa frustrada de busca no dia anterior, quando o imóvel estava vazio.

Resposta da defesa

A defesa de Hytalo Santos afirmou que ele “não tinha conhecimento da execução de mandado de busca e apreensão em uma das suas residências, até mesmo por tratar-se de medida judicial sigilosa”. Segundo os advogados, o influenciador está à disposição da Justiça para esclarecimentos e nega as acusações. “[Hytalo] reitera que jamais compactuou com qualquer ato atentatório à dignidade de crianças e adolescentes e que tudo restará definitivamente provado no curso da investigação e perante o público que nele confia e o acompanha nas redes sociais”, declarou a defesa.

Contexto da denúncia

As denúncias contra Hytalo Santos vieram à tona com maior força após o vídeo de Felca, que expôs conteúdos do influenciador com adolescentes em situações sugestivas, como danças sensuais e perguntas de cunho sexual. A repercussão levou à desativação do perfil de Hytalo no Instagram pela Meta, bem como da conta de Kamylinha Santos, uma jovem de 17 anos que aparecia nos vídeos. O caso também gerou uma investigação do MPT sobre possível exploração de trabalho infantil, com mais de 50 vídeos analisados e depoimentos de 15 pessoas envolvidos na produção do conteúdo.


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