CNJ abre nova reclamação disciplinar contra ministro Marco Buzzi por denúncia de assédio sexual

Outra mulher prestou depoimento à Corregedoria nesta segunda-feira alegando fatos semelhantes aos da acusação anterior; defesa contesta vazamento de informações e afirma que o magistrado não praticou ato impróprio; caso tramita sob sigilo e pode resultar em aposentadoria compulsória
Por: Brado Jornal 09.fev.2026 às 22h08
CNJ abre nova reclamação disciplinar contra ministro Marco Buzzi por denúncia de assédio sexual
Divulgação
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acolheu nesta segunda-feira (9 de fevereiro de 2026) depoimento de uma nova suposta vítima que acusa o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de assédio sexual. A Corregedoria Nacional abriu reclamação disciplinar específica para apurar os fatos narrados, descritos como análogos aos já investigados em procedimento anterior.

A oitiva ocorreu na tarde do dia 9, e o CNJ justificou a manutenção do sigilo como medida essencial para proteger a privacidade e a integridade das pessoas envolvidas, além de garantir o andamento adequado das diligências. O órgão reforçou que segue realizando apurações relacionadas ao caso inicial, que envolve importunação contra uma jovem de 18 anos durante férias na residência do ministro em Balneário Camboriú (SC).

Na primeira denúncia, revelada na semana passada, a vítima relatou que Buzzi tentou agarrá-la à força no mar. A jovem conseguiu se desvencilhar e informou os pais imediatamente, levando a família a deixar o local no mesmo dia. O episódio motivou boletim de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver ministro de corte superior, o processo penal está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.

Paralelamente, o STJ instaurou sindicância administrativa para verificar a veracidade dos relatos. Os procedimentos disciplinares no CNJ e no tribunal podem culminar em sanções graves, como aposentadoria compulsória.

A defesa de Buzzi, representada por advogados como Maria Fernanda Ávila e Paulo Emílio Catta Pretta, emitiu nota repudiando o vazamento de informações antes do acesso aos autos. Eles afirmaram que o ministro não cometeu qualquer ato impróprio e que a oitiva sem presença da parte reclamada viola o artigo 62 do Estatuto Interno do CNJ, comprometendo a regularidade do processo. A nota critica o que considera esforço deliberado para constranger o devido processo legal e influenciar decisões futuras.

Marco Buzzi, de 68 anos, apresentou atestado médico ao presidente do STJ, Herman Benjamin, na quinta-feira (5 de fevereiro), alegando mal-estar que resultou em internação no Hospital DF Star, em Brasília. O afastamento médico tem duração inicial de dez dias, com possibilidade de prorrogação. Nos bastidores do tribunal, há expectativa de que o ministro seja afastado das funções enquanto as investigações prosseguem.

Até o momento, a defesa não teve acesso integral aos autos, apesar de pedido de habilitação protocolado na semana anterior. O caso ganha contornos mais graves com a chegada da segunda acusação, ampliando o escopo das apurações administrativas e penais contra o magistrado.


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