Em reação às declarações do presidente americano Donald Trump (Partido Republicano), que o associou ao tráfico de cocaína, o líder colombiano Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda) pediu nesta segunda-feira (5.jan.2026) que a população organize-se e assuma a gestão local caso ocorra qualquer tentativa externa ilegal contra sua administração.
Por meio de postagem na rede X, Petro expressou plena confiança na capacidade de mobilização popular para salvaguardar as instituições. Ele sugeriu que a proteção mais eficaz viria dos cidadãos tomando o controle em cada cidade do país e orientou as forças de segurança a direcionarem ações exclusivamente contra possíveis invasores, preservando a integridade dos manifestantes nacionais.
O mandatário alertou sobre o risco de divisões nas estruturas militares e afirmou que removeria imediatamente qualquer oficial que demonstrasse preferência por interesses estrangeiros. Como comandante supremo das Forças Armadas e da Polícia Nacional, conforme estabelece a Constituição, ele reforçou seu papel de autoridade máxima.
Petro contestou as críticas de Trump, proferidas no domingo (4.jan) durante visita a Washington, rejeitando qualquer conexão com atividades criminosas. Ele destacou sua conduta transparente, com patrimônio restrito à moradia familiar ainda financiada por seu rendimento oficial e contas bancárias divulgadas publicamente, sem indícios de enriquecimento ilícito.
Para contrapor as alegações, o presidente enumerou avanços de sua gestão contra o narcotráfico, como volumes históricos de apreensões de cocaína, reconquista de zonas controladas por organizações ilegais – incluindo a região apelidada de "Wall Street da cocaína" no Cauca – e operações que seguem padrões de direitos humanos. Ele também relatou a substituição de oficiais de inteligência policial acusados de fornecerem dados falsos, preocupando-se com o possível uso dessas informações por autoridades americanas.
O posicionamento ocorre no contexto da incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela, executada no sábado (3.jan.2026), que culminou na prisão de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e de sua esposa Cilia Flores. Trump divulgou a operação pela Truth Social, com participação de 150 aviões de combate para desativar sistemas de defesa e helicópteros levando forças especiais a Caracas. A ação levou aproximadamente duas horas e vinte minutos.
Debates surgem quanto à legitimidade da medida sem autorização do Conselho de Segurança da ONU ou consulta prévia ao Congresso dos Estados Unidos, com o secretário de Estado Marco Rubio atribuindo a omissão legislativa à necessidade de sigilo.
Não há balanço confirmado de vítimas. Fontes venezuelanas mencionaram óbitos entre civis, enquanto representantes americanos excluíram perdas em suas unidades.
Trump sinalizou que os Estados Unidos conduziriam temporariamente os assuntos venezuelanos até definir uma sucessão política, com ênfase na exploração de recursos petrolíferos. De acordo com a legislação local, a vice Delcy Rodríguez deveria assumir o comando. Trump mencionou diálogo com ela por intermédio de Rubio, indicando possível alinhamento, porém Rodríguez refutou essa versão em transmissão ao vivo no sábado (3.jan), condenando a intervenção como agressão à independência e mantendo Maduro como governante legítimo. Ela manifestou disponibilidade para relações com Trump fundamentadas no direito internacional, declarando que o país não aceitará subordinação a nenhuma potência externa.
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