Petro incentiva cidadãos a controlarem municípios contra intervenção dos EUA

Presidente colombiano responde a ofensas de Trump e orienta forças armadas a protegerem a soberania
Por: Brado Redação 05.jan.2026 às 15h57
Petro incentiva cidadãos a controlarem municípios contra intervenção dos EUA
Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez

Em reação às declarações do presidente americano Donald Trump (Partido Republicano), que o associou ao tráfico de cocaína, o líder colombiano Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda) pediu nesta segunda-feira (5.jan.2026) que a população organize-se e assuma a gestão local caso ocorra qualquer tentativa externa ilegal contra sua administração.


Por meio de postagem na rede X, Petro expressou plena confiança na capacidade de mobilização popular para salvaguardar as instituições. Ele sugeriu que a proteção mais eficaz viria dos cidadãos tomando o controle em cada cidade do país e orientou as forças de segurança a direcionarem ações exclusivamente contra possíveis invasores, preservando a integridade dos manifestantes nacionais.


O mandatário alertou sobre o risco de divisões nas estruturas militares e afirmou que removeria imediatamente qualquer oficial que demonstrasse preferência por interesses estrangeiros. Como comandante supremo das Forças Armadas e da Polícia Nacional, conforme estabelece a Constituição, ele reforçou seu papel de autoridade máxima.


Petro contestou as críticas de Trump, proferidas no domingo (4.jan) durante visita a Washington, rejeitando qualquer conexão com atividades criminosas. Ele destacou sua conduta transparente, com patrimônio restrito à moradia familiar ainda financiada por seu rendimento oficial e contas bancárias divulgadas publicamente, sem indícios de enriquecimento ilícito.


Para contrapor as alegações, o presidente enumerou avanços de sua gestão contra o narcotráfico, como volumes históricos de apreensões de cocaína, reconquista de zonas controladas por organizações ilegais – incluindo a região apelidada de "Wall Street da cocaína" no Cauca – e operações que seguem padrões de direitos humanos. Ele também relatou a substituição de oficiais de inteligência policial acusados de fornecerem dados falsos, preocupando-se com o possível uso dessas informações por autoridades americanas.


O posicionamento ocorre no contexto da incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela, executada no sábado (3.jan.2026), que culminou na prisão de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e de sua esposa Cilia Flores. Trump divulgou a operação pela Truth Social, com participação de 150 aviões de combate para desativar sistemas de defesa e helicópteros levando forças especiais a Caracas. A ação levou aproximadamente duas horas e vinte minutos.


Debates surgem quanto à legitimidade da medida sem autorização do Conselho de Segurança da ONU ou consulta prévia ao Congresso dos Estados Unidos, com o secretário de Estado Marco Rubio atribuindo a omissão legislativa à necessidade de sigilo.


Não há balanço confirmado de vítimas. Fontes venezuelanas mencionaram óbitos entre civis, enquanto representantes americanos excluíram perdas em suas unidades.


Trump sinalizou que os Estados Unidos conduziriam temporariamente os assuntos venezuelanos até definir uma sucessão política, com ênfase na exploração de recursos petrolíferos. De acordo com a legislação local, a vice Delcy Rodríguez deveria assumir o comando. Trump mencionou diálogo com ela por intermédio de Rubio, indicando possível alinhamento, porém Rodríguez refutou essa versão em transmissão ao vivo no sábado (3.jan), condenando a intervenção como agressão à independência e mantendo Maduro como governante legítimo. Ela manifestou disponibilidade para relações com Trump fundamentadas no direito internacional, declarando que o país não aceitará subordinação a nenhuma potência externa.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Magistrado de 92 anos indicado por Bill Clinton conduz processo contra Nicolás Maduro nos Estados Unidos
Experiência em casos de terrorismo e segurança nacional marca carreira do juiz federal
Passaporte de Eliza Samudio é encontrado em Portugal mais de 15 anos após crime
Documento antigo da modelo assassinada em 2010 reaparece em apartamento alugado e gera novo enigma
Passaporte de Eliza Samudio encontrado em Portugal reacende memórias de suposto romance com Cristiano Ronaldo
Documento perdido há anos foi localizado em apartamento alugado e levanta questões sobre viagens da modelo à Europa
Apóstola Carine Carvalho falece após seis meses de luta contra ferimento a bala
Vítima foi atingida na cabeça durante disputa entre facções no bairro da Engomadeira, em Salvador
Aliados baianos divergem sobre viabilidade da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026
Oposição na Bahia debate estratégias nacionais enquanto consolida união local contra o PT
Perspectivas para o processo judicial contra Nicolás Maduro nos Estados Unidos
Ditador venezuelano deposto e Cilia Flores se declaram inocentes em tribunal de Manhattan; defesa evita solicitar fiança e próxima sessão ocorre em março
Carregando..