EUA alertam para onda de execuções no Irã e reafirmam apoio ao povo iraniano

Departamento de Estado destaca caso de Erfan Soltani como símbolo de repressão, enquanto ativista Toomaj Salehi convoca grito global por liberdade em meio a protestos massivos e blackout digital
Por: Brado Jornal 14.jan.2026 às 15h51
EUA alertam para onda de execuções no Irã e reafirmam apoio ao povo iraniano
Reprodução / X
Em meio a uma das maiores ondas de protestos no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, o Departamento de Estado dos Estados Unidos utilizou sua conta oficial em persa no X (antigo Twitter),
@USABehFarsi
, para denunciar violações de direitos humanos e expressar solidariedade ao povo iraniano.
Duas postagens recentes, datadas de 13 e 14 de janeiro, destacam a prisão em massa de manifestantes e o risco iminente de execuções sumárias, ecoando um chamado do rapper e ativista dissidente Toomaj Salehi por um "grito" coletivo em defesa da liberdade e da democracia.

Na mensagem de 13 de janeiro, o Departamento de Estado revelou que mais de 10.600 iranianos foram detidos pelo regime da República Islâmica apenas por exigirem direitos básicos, como liberdade de expressão e melhores condições econômicas.

O texto enfatiza o caso de Erfan Soltani, um jovem de 26 anos, vendedor de roupas na região de Fardis (próximo a Teerã e Karaj), que recebeu uma sentença de morte por "moharebeh" (guerra contra Deus ou inimizade contra Deus) sem qualquer processo legal, julgamento ou acesso a um advogado de defesa.
De acordo com a postagem, Soltani foi o primeiro manifestante condenado à execução em conexão com os protestos atuais, mas "não será o último", sinalizando o início oficial de uma onda de execuções contra dissidentes.
A família de Soltani foi informada da sentença e permitida apenas 10 minutos para uma despedida final, em um gesto considerado "cruel e desumano" por organizações de direitos humanos.

A execução estava marcada para esta quarta-feira, 14 de janeiro, mas, até o fechamento desta matéria, não há confirmação oficial devido ao blackout total de internet imposto pelo regime, que dificulta a verificação de informações em tempo real.

Relatos não verificados circulam nas redes sociais sugerindo que a execução pode ter ocorrido em uma encruzilhada pública, mas fontes como a Anistia Internacional e o Hengaw Organization for Human Rights alertam para a falta de provas concretas em meio à censura.
No dia seguinte, 14 de janeiro, coincidentemente a data prevista para a execução de Soltani, a mesma conta reafirmou o posicionamento dos EUA: "Os Estados Unidos estão ao lado do povo do Irã e gritam com eles 'pela liberdade e democracia'". Essa declaração parece ecoar diretamente um apelo feito pelo ativista Toomaj Salehi, postado em 8 de janeiro em sua conta
@OfficialToomaj
.
Salehi, um rapper iraniano conhecido por suas músicas críticas ao regime, e que já enfrentou prisões e sentenças de morte no passado, convocou os iranianos a "gritarem em diferentes idiomas: 'Irã livre e democrático'", acompanhado de uma imagem do mapa do país com o slogan "#برای_آزادی_و_دموکراسی_فریاد_می‌زنیم" (Nós gritamos pela liberdade e democracia).
A postagem de Salehi enfatiza a importância do dia como um momento crucial para unir vozes globais contra a ditadura, e a resposta dos EUA sugere um alinhamento simbólico com os dissidentes internos.

Os protestos no Irã, que entraram em seu 18º dia nesta quarta-feira, começaram no final de dezembro de 2025, desencadeados por um colapso econômico severo: a desvalorização recorde do rial (chegando a 1,34 milhão por dólar americano), inflação galopante de 42% e escassez de bens básicos como carne e laticínios.

O que iniciou como greves de lojistas e manifestações contra a crise financeira rapidamente evoluiu para um levante anti-regime, com gritos como "Morte ao ditador" (referindo-se ao líder supremo Ali Khamenei), "Este é o ano do sangue, Seyyed Ali será derrubado" e chamadas pró-monarquia, como "Javid Shah" (Viva o Rei), em referência a Reza Pahlavi, o exilado herdeiro do último xá do Irã.

Os atos se espalharam por mais de 100 cidades em todas as 31 províncias, incluindo Teerã, Qom (berço da Revolução Islâmica de 1979), Kurdistan, Shiraz e Rasht, com participação massiva de mulheres desafiando a hijab obrigatória e grupos étnicos como curdos, balúchis, luros e turcos.

A repressão tem sido brutal: forças de segurança, incluindo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e a milícia Basij, usam munição real, gás lacrimogêneo e invasões a hospitais para capturar feridos.

Estimativas de mortes variam de 32 a 65 confirmadas por grupos de direitos humanos, mas ativistas alegam números muito maiores, incluindo alegações de um "massacre" com 12.000 mortos em apenas dois dias.

Milhares foram feridos, com 950 policiais e 60 basijis reportados como baixas do lado do regime.
Khamenei qualificou os manifestantes como "vândalos e mercenários a serviço de Trump e Israel", prometendo uma resposta ainda mais dura.

Um blackout digital nacional foi imposto para bloquear a coordenação e a divulgação de imagens, forçando o uso de serviços como Starlink para vazamentos de fotos de vítimas.

Toomaj Salehi, em postagens recentes, enfatizou a unidade entre etnias iranianas, declarando que "o investimento do Irã não é o petróleo, mas os curdos, balúchis, luros, gilakis, mazandarani, turcos e árabes, povo iraniano". Ele argumenta que o regime tenta dividir a nação com rótulos como "separatistas", mas a união é essencial para preencher as brechas criadas pela ditadura.

Internacionalmente, a crise ganha atenção: o Pentágono apresentou opções ao presidente Donald Trump para ataques aéreos contra instalações nucleares e militares iranianas, enquanto EUA e Reino Unido retiram pessoal de uma base aérea no Catar por temores de escalada.
Ativistas como Masih Alinejad e Reza Pahlavi pedem apoio global, com hashtags como #IranMassacre, #DigitalBlackoutIran e #ErfanSoltani viralizando.
Organizações como a Anistia Internacional alertam para uma "nova onda de execuções", comparando à repressão nos anos 1980.

O regime iraniano não comentou oficialmente as postagens dos EUA, mas a polarização nas redes sociais é intensa, com apoiadores do regime acusando interferência estrangeira e dissidentes clamando por intervenção para evitar mais mortes.
O mundo observa se essa será a "revolução final" contra os aiatolás, ou se a repressão prevalecerá.


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