A execução do manifestante iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, foi adiada, segundo informações divulgadas pela ONG Hengaw Organization for Human Rights. O jovem, preso em 8 de janeiro de 2026 em sua residência na cidade de Karaj, foi condenado à morte sob a acusação de "moharebeh" (inimizade contra Deus), crime passível de pena capital no sistema jurídico do Irã.
O processo judicial contra Soltani ocorreu de forma acelerada e sem garantias mínimas de defesa: não houve acesso a advogado, consulta aos autos ou possibilidade real de contestação das provas. A irmã do condenado, que atua como advogada, tentou intervir, mas foi impedida de analisar documentos e recebeu ameaças caso divulgasse detalhes publicamente.
A família recebeu a informação sobre o adiamento no final da tarde de 14 de janeiro de 2026, dia originalmente marcado para a execução. Não foi informada uma nova data, e as autoridades não divulgaram oficialmente o motivo da suspensão. A Hengaw destacou que o adiamento pode ser temporário e que o risco de execução permanece elevado, especialmente em um contexto de repressão intensa aos protestos que eclodiram no final de dezembro de 2025.
Erfan Soltani trabalhava no ramo de vestuário e era descrito por parentes como alguém apaixonado por moda e esportes. Antes da prisão, ele já havia recebido mensagens intimidatórias de agentes de segurança, mas continuou participando das manifestações contra o regime, motivadas por crise econômica, inflação e demandas por reformas políticas.
O caso ganhou atenção internacional após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar ação militar caso o Irã prosseguisse com execuções de detidos dos protestos. Organizações como Amnesty International e Iran Human Rights alertam para o risco de execuções sumárias em massa, com pelo menos 648 mortes confirmadas entre manifestantes (números da Iran Human Rights) e estimativas mais altas em outras fontes.
O regime iraniano impôs blackout quase total de internet e comunicações, dificultando a verificação independente de informações. Até o momento, não há posicionamento oficial das autoridades judiciárias iranianas sobre o adiamento da pena de Soltani. A situação continua monitorada por entidades de direitos humanos e governos estrangeiros, com temor de que a suspensão seja apenas provisória.
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