A relatora especial da ONU para os direitos humanos no Irã, Mai Sato, afirmou ter recebido relatórios iniciais indicando cerca de 20 mil mortes de manifestantes durante a repressão aos protestos recentes no país.
Em entrevista à ABC News, ela destacou que as estimativas chegam a 60 mil ou 80 mil vítimas, com expectativa de que o número real seja ainda maior à medida que mais dados sejam coletados.
Os relatos vieram principalmente de médicos que utilizam Starlink para compartilhar informações sobre pacientes atendidos. Sato mencionou ter visto vídeos de agentes iranianos disparando contra civis desarmados. O grupo de investigação que ela coordena analisa se o regime cometeu crimes contra a humanidade e se o aiatolá Ali Khamenei pode ser responsabilizado.
O regime iraniano admite oficialmente quase 5 mil mortes de civis. O procurador-geral Mohammad Movahedi-Azad declarou que todos os manifestantes são considerados “mohareb” (inimigos de Deus), crime punível com pena de morte pela legislação iraniana.
Os protestos eclodiram na última semana de 2025, inicialmente contra o aumento do custo de vida, e evoluíram para demandas pela queda do regime teocrático no poder há quase 50 anos. O movimento ganhou força após a repressão intensificada, com o governo respondendo com violência. O regime mudou de monarquia laica em 1979 (deposto o xá Mohammad Reza Pahlavi) para ditadura religiosa sob Ruhollah Khomeini, sucedido por Ali Khamenei em 1989.
Sob o sistema atual, a lei segue a interpretação islâmica dos aiatolás, com desigualdades: homens e mulheres não são iguais perante a lei; homossexuais enfrentam pena de morte; cristãos e judeus têm direitos limitados em comparação aos muçulmanos.
Mai Sato enfatizou: “Recebi relatórios com 20 mil mortos, que vieram em grande parte por meio de médicos corajosos com acesso ao Starlink, capazes de fornecer informações sobre pacientes que atenderam. Mas nem todo médico tem a coragem ou a capacidade de fornecer essas informações. Então, se o que estamos recebendo são estimativas de 60 mil ou 80 mil, acho que o número real, uma vez que tivermos mais dados, será significativamente maior.”
Outras fontes internacionais, como agências de notícias e organizações de direitos humanos, reportaram números menores em fases iniciais dos protestos (centenas a milhares), com foco em repressão violenta, prisões em massa e bloqueio de comunicações. O caso continua sob escrutínio da ONU, com debates sobre crimes contra a humanidade e necessidade de accountability. O regime iraniano não comentou as estimativas mais altas citadas pela relatora.
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