Epstein e Chomsky discutiram Lula como 'prisioneiro político mais importante do mundo' em emails revelados

Documentos do Departamento de Justiça dos EUA mostram conversas de 2018 sobre visita à prisão e críticas ao processo; relação entre linguista e financista ganha destaque
Por: Brado Jornal 01.fev.2026 às 09h39
Epstein e Chomsky discutiram Lula como 'prisioneiro político mais importante do mundo' em emails revelados
Foto: Wanezza Soares
Arquivos recém-divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em 30 de janeiro de 2026, expõem trocas de mensagens entre o financista Jeffrey Epstein e o linguista Noam Chomsky em que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é descrito como "o prisioneiro político mais importante do mundo".

Em setembro de 2018, Chomsky informou Epstein por email que estava no Brasil com a esposa Valeria, participando de ações do movimento Lula Livre, que defendia a soltura do petista. Ele relatou ter visitado Lula na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente cumpria pena de 12 anos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na Operação Lava Jato. A condenação, conduzida pelo então juiz Sergio Moro, impediu Lula de concorrer às eleições presidenciais daquele ano. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as sentenças por violação de direitos processuais.

Em dezembro do mesmo ano, Chomsky voltou a se referir a Lula em outro email: "Conseguimos visitar Lula, o prisioneiro político mais importante do mundo, preso logo antes da eleição que ele provavelmente venceria, na última etapa do golpe da direita que vem ocorrendo há vários anos". Ele criticou as condições de detenção, confinamento solitário, ausência de materiais impressos, visitas restritas, TV fixada em canal governamental e proibição de declarações públicas, e alertou para o risco de "doença misteriosa" sob o que chamou de "governo neofascista". Chomsky considerou as acusações "ridículas" e lamentou a pouca atenção internacional ao caso.

Um email anterior, já divulgado em novembro de 2025, atribuía a Epstein a frase "Chomsky me ligou com Lula. Da prisão. Que mundo", sugerindo uma ligação telefônica intermediada. Tanto Valeria Chomsky quanto o Palácio do Planalto negaram a ocorrência, afirmando que celulares foram deixados na recepção e que houve revista pela Polícia Federal durante a visita.

A relação entre Chomsky e Epstein era próxima: o linguista elogiou o financista em carta como parceiro de "discussões longas e profundas", e Epstein facilitou transferências financeiras sem custos. Chomsky, aos 97 anos, defendeu Epstein como alguém que cumpriu pena e teve ficha limpa segundo as leis americanas. Epstein, condenado em 2008 por crimes sexuais (13 meses de prisão em acordo polêmico), foi recapturado em 2019 e encontrado morto na cela.

Outro trecho dos arquivos revela conversa entre Epstein e Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump. Epstein alertou Bannon para ter cautela ao falar de Jair Bolsonaro com Chomsky, pois a esposa dele é brasileira e o casal era amigo de Lula. Ele sugeriu encontro entre os dois em Tucson (Arizona) e mencionou temas como impostos, saúde pública e "ameaças bolsonaristas aos trabalhadores organizados".

Bannon confirmou o encontro, descrevendo Chomsky como "grande cavalheiro", mas "brilhante, porém fraco em alguns fatos básicos".As revelações integram um vasto conjunto de documentos sobre Epstein, que gerenciava finanças de celebridades e mantinha rede de contatos influentes. As mensagens destacam visões críticas de Chomsky ao processo contra Lula e ao governo Bolsonaro na época, sem implicar novas acusações contra o linguista.


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Revelações no caso Epstein: brasileiro recebeu mais de R$ 70 mil do financista para curso de osteopatia
Documentos do Departamento de Justiça dos EUA mostram transferências para Reinaldo Avila da Silva, "marido" do lorde britânico Peter Mandelson
Carregando..