Um tribunal da Coreia do Sul condenou nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026) o ex-presidente Yoon Suk Yeol, de 65 anos, à prisão perpétua. A decisão veio após o julgamento que o considerou culpado de comandar uma insurreição e de abuso de autoridade, relacionados à declaração de lei marcial em dezembro de 2024.
O episódio ocorreu no dia 3 de dezembro de 2024, quando Yoon anunciou a medida em pronunciamento televisionado sem aviso prévio. Ele justificou a ação como necessária para proteger a ordem constitucional, as liberdades do povo e a estabilidade do país, acusando os partidos de oposição de obstruir o funcionamento do Parlamento.
A lei marcial durou poucas horas: o Parlamento votou rapidamente para revogá-la, e Yoon suspendeu o decreto, alegando que sua intenção era “salvar o país de forças antiestatais” e alertar contra ações que paralisavam o Estado.
Os promotores argumentaram que a medida inconstitucional e ilegal minou a Assembleia Nacional e a Comissão Eleitoral, destruindo na prática a ordem democrática liberal. Eles pediram pena de morte, a punição máxima prevista para crimes de insurreição no país, mas o tribunal optou pela prisão perpétua.
Yoon, ex-promotor conservador de carreira, negou as acusações durante o processo. Ele defendeu que possuía autoridade presidencial para declarar a lei marcial e que a ação serviu apenas como “correção” e alerta, não como golpe completo. Seu advogado reforçou que não houve intenção de derrubar a democracia.
O tribunal também analisou acusações adicionais de abuso de poder, como ordens para que tropas invadissem o Parlamento, prendessem opositores e controlassem acessos a instalações políticas, incluindo o prédio do principal partido de oposição.
A condenação representa o desfecho mais grave para um ex-líder sul-coreano até o momento e destaca a resiliência das instituições democráticas do país diante da crise política gerada pelo episódio.
Yoon, detido desde julho de 2025, já havia sido condenado anteriormente a cinco anos de prisão por obstrução da justiça em outro processo ligado ao mesmo caso. Ele deve recorrer da decisão em instâncias superiores, incluindo o Supremo Tribunal.
Na Coreia do Sul, a pena de morte ainda existe na legislação, mas o país mantém uma moratória informal: a última execução ocorreu em 1997, e a última sentença capital foi proferida em 2016.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...