A China instou o Irã a aproveitar as atuais “janelas de oportunidade para a paz” e iniciar negociações o mais breve possível para encerrar o conflito no Oriente Médio. O apelo foi feito pelo chanceler chinês Wang Yi durante conversa telefônica com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, a pedido de Teerã.
Wang Yi enfatizou que disputas internacionais devem ser resolvidas por meio do diálogo, e não pela força. “Conversar é sempre melhor do que lutar”, declarou o diplomata chinês, segundo relato oficial. Ele afirmou que Pequim manterá uma posição “objetiva e justa”, opondo-se a qualquer violação da soberania e trabalhando ativamente para promover a estabilidade na região.
Araghchi agradeceu a assistência humanitária emergencial enviada pela China e defendeu a necessidade de um cessar-fogo abrangente, que não seja apenas temporário. O chanceler iraniano manifestou esperança de que a China continue exercendo papel ativo na mediação para ajudar a encerrar as hostilidades.
A conversa entre os dois ministros ocorreu em meio à grave crise provocada pelo bloqueio parcial do estreito de Ormuz, controlado pelo Irã desde o fim de fevereiro de 2026. A medida, adotada após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos, elevou o preço do barril de petróleo acima de US$ 100 e ameaçou o abastecimento global de energia.
O presidente americano Donald Trump utilizou sua rede social Truth Social no sábado (21) para dar um ultimato ao Irã, exigindo a reabertura do estreito em 48 horas. O prazo expirou na segunda-feira (23) sem que a navegação tenha sido totalmente normalizada.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã respondeu que fecharia o estreito de forma indefinida caso novos ataques americanos fossem concretizados. Apesar das restrições, Teerã afirma que a passagem permanece aberta à navegação internacional, com segurança para embarcações que não estejam diretamente envolvidas no conflito.
O bloqueio provocou forte impacto econômico: custos de transporte na região dispararam, seguradoras multiplicaram por quatro os prêmios para navios que transitam pela área devido ao risco elevado de ataques, e infraestruturas de energia em vários países do Oriente Médio foram danificadas.
Araghchi reforçou a união do povo iraniano na defesa da soberania nacional e manifestou apoio ao envolvimento chinês como mediador. Wang Yi, por sua vez, reiterou que todas as partes envolvidas devem agir com rapidez para abrir caminho ao diálogo e evitar maior escalada.
A posição chinesa reflete a estratégia de Pequim de se apresentar como potência equilibrada, capaz de contribuir para a desescalada sem alinhamento automático a qualquer dos lados. O governo iraniano espera que essa mediação ajude a construir um acordo mais duradouro.
O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, continua sendo o principal ponto de tensão. Qualquer interrupção prolongada no tráfego marítimo pode agravar a inflação global e gerar desabastecimento de combustíveis em diversos continentes.
Até o momento, não há indícios de avanço concreto nas negociações, mas o chamado chinês sinaliza esforço diplomático para explorar o atual momento de relativa trégua e evitar que o conflito se expanda ainda mais.
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