As fortes chuvas que atingiram Angola nos primeiros dias de abril de 2026 causaram inundações, deslizamentos e destruição de habitações e infraestruturas em várias províncias, com particular incidência em Benguela e Luanda. O balanço mais recente indica pelo menos 45 mortos, dezenas de feridos e mais de 51 mil pessoas afetadas em todo o país.
Na província de Benguela, a mais atingida, as chuvas provocaram o transbordo do rio Cavaco após o rompimento do dique de proteção na margem esquerda, no bairro das Bimbas. A água invadiu bairros como Calomanga, Massangarala, Cotel, Santa Teresa e Tchipiandalo, além de zonas agrícolas e fazendas adjacentes. Várias casas ficaram submersas, obrigando moradores a refugiarem-se nos telhados. Registaram-se centenas de habitações destruídas ou danificadas, com relatos de mais de 500 casas desabadas em alguns balanços parciais.
As inundações cortaram a circulação rodoviária entre Benguela e Lobito e suspenderam por tempo indeterminado a circulação ferroviária em troços da província, segundo a Lobito Atlantic Railway. Uma ponte desabou no bairro da Calomanga, afetando o abastecimento de água em Benguela, Navegantes e Baía Farta. O governador provincial, Manuel Nunes Júnior, informou que mais de 1.600 pessoas foram resgatadas com apoio da Força Aérea, Marinha de Guerra e do Serviço de Proteção Civil e Bombeiros. Mais de duas mil pessoas estão a ser assistidas em locais seguros.
Em Luanda, as chuvas da última noite provocaram quedas de árvores, deslizamentos de terras e inundações que atingiram cerca de 280 habitações, afetando mais de 1.400 pessoas. Registaram-se ainda danos em postes elétricos e torres de transmissão, com mais de 45 mil famílias sem fornecimento de energia em alguns momentos. No município do Calumbo, em Icolo e Bengo, 13 habitações foram inundadas, afetando 65 famílias.
Outras províncias como Bengo, Cuanza-Sul e Malanje também registaram impactos significativos, com milhares de famílias desalojadas e infraestruturas danificadas, incluindo escolas e centros de saúde.
As autoridades mobilizaram meios para resgates e assistência às populações afetadas. O Governo Provincial de Benguela disponibilizou autocarros para o apoio logístico e apelou à população para manter o estado de alerta, adotar medidas de segurança e colaborar nas evacuações. O Serviço de Proteção Civil e Bombeiros continua a atualizar os dados sobre vítimas e danos.
A situação expõe vulnerabilidades em drenagens e estruturas de proteção, com relatos de interrupções no abastecimento de água e energia agravadas por atos de vandalismo em algumas torres elétricas. As chuvas intensas dos dias 4 e 5 de abril, e episódios subsequentes, mantiveram as populações em alerta máximo nas zonas mais afetadas.
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