O governo da Venezuela atualizou nesta sexta-feira o número de vítimas fatais dos fortes abalos sísmicos que sacudiram o país na noite de quarta-feira. A presidente interina Delcy Rodríguez informou que o total de óbitos subiu para 589, mais que o dobro do balanço anterior, de 265 mortes.
A declaração ocorreu durante encontro com comandantes militares e autoridades civis, transmitido pela televisão estatal. “Lamentavelmente, já temos 589 pessoas falecidas. Não dormimos um minuto sequer em nossos esforços para salvar vidas”, afirmou a líder chavista.
Enquanto isso, socorristas locais e voluntários trabalham intensamente para localizar sobreviventes sob os escombros. A janela crítica de 48 a 72 horas após os tremores aumenta a chance de encontrar pessoas com vida. Militares e equipes técnicas de diversos países já desembarcaram em Caracas para reforçar as operações. No total, 17 nações enviaram apoio, entre elas Brasil, Estados Unidos, El Salvador, México e Suíça.
O general americano Kevin J. Jarrard chegou ao país para coordenar as ações das Forças Armadas dos EUA. Retroescavadeiras e cães farejadores atuam nas áreas mais afetadas, especialmente em La Guaira, ao norte da capital, onde mais de cem edifícios colapsaram. As autoridades decidiram militarizar o estado para agilizar o acesso e as ações de emergência.
Ofertas de ajuda chegam de várias partes do mundo. Suíça, Espanha, França, Portugal, México, China, Índia e até o Irã ofereceram equipes e recursos. O papa Leão XIV enviou 100 mil euros como contribuição inicial. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou profunda tristeza e garantiu assistência da organização.
Plataformas digitais para registro de desaparecidos acumulam milhares de buscas. Muitos venezuelanos relatam desespero ao procurar familiares. Em La Guaira, cenas comoventes se repetem: uma avó e o neto Alessandro del Giudice, de 23 anos, cavavam manualmente os destroços em busca de um parente. Autoridades confirmaram ainda a morte de nove portugueses e três espanhóis, além de mais de 150 cidadãos ibéricos com paradeiro desconhecido.
O vice-presidente setorial de Obras Públicas, Juan José Ramírez, pediu à população que deixe as equipes especializadas conduzirem os trabalhos. “Muitas vezes, voluntários que tentam ajudar podem piorar a situação. A prioridade é salvar vidas”, alertou.
Os tremores, considerados os mais fortes em mais de um século no país, derrubaram prédios em diferentes regiões de Caracas e arredores, gerando pânico generalizado. Equipes internacionais, incluindo especialistas holandeses, seguem chegando para auxiliar nos resgates.
A tragédia mobiliza ainda organizações humanitárias que preparam distribuição de abrigo, água e itens básicos para dezenas de milhares de afetados. O foco permanece na localização de sobreviventes e no apoio às famílias enlutadas em meio ao caos.
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