Toni Garrido defende liberdade artística em resposta a polêmica sobre alteração em "Girassol"

Cantor do Cidade Negra explica homenagem às mulheres e rebate acusações de desrespeito à composição original
Por: Brado Jornal 07.out.2025 às 10h46
Toni Garrido defende liberdade artística em resposta a polêmica sobre alteração em
Reprodução/Instagram
O vocalista Toni Garrido, integrante do Cidade Negra, rebateu as controvérsias geradas nas redes sociais após modificar a letra da canção "Girassol", sucesso de 2002 presente no álbum "Acústico MTV". A alteração veio à tona durante a exibição do programa "Altas Horas", na noite de sábado (4 de outubro de 2025), onde ele conversou com o apresentador Serginho Groisman. Garrido revelou: “Durante anos a gente cantou e eu tinha a certeza que eu estava cantando uma canção certa de amor, e que estava fazendo o bem para as pessoas. Depois de 25 anos cantando a música, um dia bateu uma ficha”. Ao interpretar o trecho ajustado, ele acrescentou: “Hétero machista top, horrível”.

Na versão original, composta por Da Ghama, Lazão, Bino Farias e Pedro Luís, o verso rezava: “A verdade prova que o tempo é o senhor / dos dois destinos, dos dois destinos… / Já que pra ser homem tem que ter / a grandeza de um menino, de um menino”. Garrido optou por trocar para: “A verdade prova que o tempo é o senhor / dos dois destinos, dos dois destinos… / Já que pra ser homem tem que ter / a grandeza de uma menina, de uma mulher”. O objetivo, conforme o artista, era render tributo ao papel feminino na formação masculina, destacando que “ao lado de todo grande homem, há uma grande mulher”.

Em postagem nas redes, Garrido enfatizou: “A arte é livre. No meu entendimento, na minha brincadeira amorosa eu queria homenagear as mulheres. Todo grande homem tem a grandeza de um pai e de uma mãe. E de um menino também, poeticamente falando”. Ele prosseguiu explicando que a mudança busca reconhecer a influência de figuras como “a mãe, a pessoa que cuida dele, ou a irmã, ou qualquer elemento feminino… Que o conduz e que dá uma sensibilidade, um equilíbrio na personalidade dele para ele ser um ser humano querido, legal, gente fina”. Garrido concluiu que “de uma coisa tão simples” e “por causa da semântica” emergiu um debate amplo, mas reiterou que “cada pessoa é livre para cantar ‘Girassol’ como quiser”.

A reação negativa veio especialmente de Da Ghama, ex-guitarrista e cofundador da banda, que se pronunciou em vídeo no Instagram. Ele se disse “altamente desrespeitado como compositor” e defendeu a essência poética original: “Agora, coisa machista, hétero? Longe disso.

Na verdade é uma poesia, então quando falamos de um menino, de quando o homem faz uma guerra, se colocar no universo de uma criança e ter esse reencontro com a humildade, a doçura e a pureza”. Para Da Ghama, o hino carrega uma mensagem de positividade, criticando guerras e promovendo luz em meio a pensamentos obscuros, com a pureza infantil como símbolo de grandeza humana.Apesar das vozes contrárias, Garrido recebeu apoios por sua visão inclusiva, reforçando o debate sobre os limites da interpretação artística em obras coletivas.


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