Flávio Bolsonaro emitiu notas de R$ 1,5 milhão para empresas ligadas a Vorcaro

Escritório do senador faturou valores para consultorias usadas em movimentações do Banco Master
Por: Brado Redação 22.jul.2026 às 14h43
Flávio Bolsonaro emitiu notas de R$ 1,5 milhão para empresas ligadas a Vorcaro
Reprodução

Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, o escritório de advocacia comandado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) emitiu notas fiscais que somam R$ 1,5 milhão para duas empresas conectadas ao esquema financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Duas das notas, que totalizam R$ 1 milhão, foram emitidas e posteriormente canceladas em abril de 2025.

As faturas foram direcionadas à Copenhagen Consultoria e Assessoria e à Contábil Correa. As empresas têm o mesmo responsável, o contador Rogério Lourenço Novo, que figura como diretor e sócio de ambas. Uma delas, a Copenhagen, recebeu dezenas de milhões de reais do Banco Master e atuou como uma das principais receptoras de recursos do grupo de Vorcaro.

As notas fiscais referem-se à prestação de serviços de consultoria jurídica. No caso da Copenhagen, as duas faturas de R$ 500 mil cada foram canceladas logo após a emissão, em 7 de abril. Dois dias depois, o escritório emitiu outra nota fiscal, também no valor de R$ 500 mil, para a Contábil Correa, sem registro de cancelamento.

As conexões reforçam os vínculos entre Flávio Bolsonaro e a rede de empresas ligada a Vorcaro, que já haviam aparecido em investigações sobre o financiamento do filme *Dark Horse*, biografia de Jair Bolsonaro. A Copenhagen, criada com capital social de apenas R$ 40 mil, tornou-se uma das principais destinatárias de transferências do Banco Master.

Rogério Lourenço Novo, responsável pelas duas empresas, já foi alvo de investigação da Polícia Federal por suposto uso de notas fiscais falsas para sonegação de tributos. Ele afirmou ser proprietário da Copenhagen desde setembro de 2025 e declarou que o escritório de Flávio Bolsonaro foi contratado para prestar serviços a clientes de sua contabilidade.

A assessoria de Flávio Bolsonaro informou que houve uma consulta para a prestação de serviços à Copenhagen, mas que o contrato não foi adiante e nenhum pagamento foi recebido, o que justificaria o cancelamento das notas fiscais. O senador também negou qualquer vínculo com o Banco Master e afirmou que as tentativas de associá-lo ao caso são infundadas.

O episódio ocorre em meio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026 e amplia o escrutínio sobre suas relações empresariais.



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