A Polícia Federal tornou público nesta sexta-feira (6 de fevereiro de 2026) o laudo pericial elaborado por três médicos da corporação sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O documento foi divulgado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo em que Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por suposta tentativa de golpe de Estado.
A avaliação ocorreu em 20 de janeiro, quando a junta visitou o ex-presidente na chamada Papudinha, Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, analisando exames clínicos, laboratoriais, de imagem e o histórico médico fornecido pela defesa.
Os peritos constataram que Bolsonaro apresenta sete condições crônicas graves, incluindo problemas cardiovasculares, respiratórios, gastrointestinais, metabólicos e neurológicos, além de sequelas permanentes e multimorbidade. O laudo destaca “sinais neurológicos” que elevam o risco de quedas e de eventos como morte súbita ou infarto, recomendando monitoramento clínico diário, otimização de tratamentos preventivos e intervenção por especialistas.
Apesar disso, a conclusão é clara: “Tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”. Os médicos afirmam que o ex-presidente tem condições de permanecer no local atual, desde que haja manutenção e aprimoramento da assistência médica disponível, com protocolos de resposta rápida para urgências e emergências.
O laudo serve de base para Moraes decidir sobre o pedido da defesa de Bolsonaro por regime de prisão domiciliar humanitária, alegando agravamento do quadro clínico com sintomas como crises de vômito e soluços. A defesa e a Procuradoria-Geral da República (PGR) foram intimadas a se manifestar em até cinco dias, podendo solicitar complementações.
Bolsonaro está detido desde 15 de janeiro na Papudinha, após transferência da superintendência da PF em Brasília. A perícia foi solicitada pelo ministro após insistência da defesa, que cobrava urgência na juntada do documento aos autos. O sigilo sobre o laudo foi afastado por Moraes, que considerou não haver motivos para mantê-lo confidencial.
A defesa ainda não se pronunciou oficialmente sobre o conteúdo divulgado, mas aliados do ex-presidente veem o relatório como insuficiente para justificar flexibilização da pena, enquanto críticos apontam que o texto reforça a viabilidade do cumprimento prisional com ajustes mínimos.
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