Operação Bazaar mira corrupção sistêmica na Polícia Civil de São Paulo

Força-tarefa prende nove suspeitos e cita propinas de até R$ 33 milhões para travar inquéritos e destruir provas; esquema envolvia delegacias de elite e lavagem via vale-refeição
Por: Brado Jornal 06.mar.2026 às 10h24
Operação Bazaar mira corrupção sistêmica na Polícia Civil de São Paulo
Polícia Civil de São Paulo
Uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo (por meio do Gaeco), Polícia Federal e Corregedoria Geral da Polícia Civil resultou, nesta quinta-feira (5 de março de 2026), na prisão de nove pessoas e na decretação de 11 mandados de prisão preventiva. A Operação Bazaar investiga uma rede criminosa que teria transformado unidades especializadas da corporação em verdadeiros espaços de negociação ilícita.

Os alvos incluem departamentos de destaque, como o Deic (Departamento de Investigações Criminais), o DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), o Serviço Aerotático e o 16º DP (Vila Clementino). As acusações envolvem corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça, subversão ao dever funcional e fraude processual.

Interceptações de áudios e mensagens revelam valores expressivos: uma transferência citada de R$ 33 milhões ligada a um acerto em delegacia; mais de R$ 20 milhões pagos a um delegado; e exigência de R$ 5 milhões para arquivar inquérito.
Outros repasses fracionados chegam a R$ 220 mil, R$ 100 mil e R$ 10 mil, direcionados a setores específicos.O grupo atuava para embaraçar investigações, destruir evidências, como substituir HD apreendido por dispositivo vazio no DPPC, e garantir impunidade a investigados em troca de vantagens. Propinas eram recebidas em locais como o hangar do Serviço Aerotático no Campo de Marte.

Para ocultar a origem dos recursos, os suspeitos utilizavam empresas de fachada que simulavam vendas inexistentes, convertendo dinheiro em espécie em créditos de vale-refeição inseridos no sistema como benefícios trabalhistas. Essa prática permitia inserir valores ilícitos na economia formal.

Entre os detidos estão o delegado João Eduardo da Silva (Delegacia do Jabaquara), o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz (mesma unidade), os investigadores Roldnei Eduardo dos Reis Baptista (1ª Delegacia de Combate à Corrupção do DPPC) e Rogério Coichev Teixeira (Serviço Aerotático), além dos advogados Antônio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antônio Fontana, e a doleira Meire Poza. O doleiro Leonardo Meirelles, com mandado de prisão, segue foragido.

A operação é desdobramento de apurações anteriores, como a Recidere (2023), que rastreou envio de R$ 4 bilhões ilícitos ao exterior, e a Fractal, focada em fraudes bancárias e criptomoedas, que identificou conexões com policiais civis.

A Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria participa ativamente e já determinou processos administrativos disciplinares nas unidades afetadas, iniciando pelo 35º DP (Jabaquara). O governador em exercício, Felicio Ramuth, classificou os fatos como isolados, envolvendo poucos agentes, e prometeu rigor nas punições.

Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em residências, escritórios de advocacia e sedes policiais, com bloqueio de bens dos investigados. 


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