Um psicoterapeuta conhecido em Salvador está no centro de uma investigação do Ministério Público da Bahia por supostamente ter manipulado uma paciente para transferir R$ 345 mil para suas contas. Jordan Van Der Zeijden Campos, mais conhecido como Jordan Campos, foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos na terça-feira (26 de maio de 2026) em sua residência e no consultório, localizados nos bairros da Pituba e Caminho das Árvores.
De acordo com as apurações, a vítima revelou detalhes sobre sua situação financeira durante sessões de terapia. O profissional teria então sugerido investimentos no próprio consultório. A mulher se mudou para Salvador, passou a trabalhar no local, mas foi afastada das decisões administrativas e teve acessos bloqueados. O psicoterapeuta também teria se recusado a devolver o montante.
O caso configura, para o MP-BA, indícios de estelionato qualificado, com abuso de vulnerabilidade psicológica e relação de confiança. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 960 mil em bens do investigado.
Além da questão financeira, quatro mulheres denunciaram Jordan Campos por assédio moral e sexual, coerção psicológica e violação sexual. Uma delas, aluna e ex-paciente, relatou ter sido convencida a viajar do Rio Grande do Sul para a Bahia, onde teria sofrido atos sem consentimento. As outras duas, ex-alunas e ex-funcionárias, descreveram ambiente de trabalho abusivo e pressão para relações íntimas.
As denúncias apontam um padrão de atuação: o terapeuta identificava mulheres em situação de fragilidade emocional, com histórico de trauma, baixa autoestima e dependência, e usava sua posição de autoridade, notoriedade e conhecimento técnico para obter vantagens sexuais e patrimoniais.
Com mais de dez anos de carreira, Jordan Campos acumula mais de 400 mil seguidores nas redes sociais. Ele atendia pacientes em Salvador e outras capitais, além de ministrar cursos, workshops e formações na área da psicologia.
A Operação Catarse, conduzida pelo Gaeco e pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero (Nevid) do MP-BA, incluiu quebra de sigilos telemático e informático. A Justiça também suspendeu imediatamente o exercício de todas as atividades profissionais do investigado, como consultas, cursos, palestras e mentorias, tanto de forma autônoma quanto por intermédio de empresas.
Em nota, Jordan Campos afirmou ser inocente e garantiu que colaborará com a Justiça. Ele mencionou que acusações semelhantes já foram feitas há quatro anos e resultaram em arquivamento. “Nunca pratiquei assédio, abuso ou qualquer forma de exploração. Sou casado há 14 anos, pai de quatro filhos e lutei contra exatamente isso ao longo de 20 anos de carreira”, declarou o psicoterapeuta.
A investigação segue em andamento, com possibilidade de novas denúncias. O caso reacende o debate sobre ética profissional na área da saúde mental e a necessidade de maior fiscalização sobre terapeutas e formadores que atuam com grande visibilidade.
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