Polícia investiga ONG ligada a produtora de filme sobre Bolsonaro por suspeita de fraude em contrato de wi-fi

Instituto Conhecer Brasil, da empresária Karina Ferreira da Gama, é alvo de operação por desvio de milhões em acordo milionário com a Prefeitura de São Paulo.
Por: Brado Jornal 01.jun.2026 às 09h35
Polícia investiga ONG ligada a produtora de filme sobre Bolsonaro por suspeita de fraude em contrato de wi-fi
Reprodução/Redes Sociais
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1º) uma operação de busca e apreensão contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama. A ação apura supostas fraudes e desvios de recursos em um contrato de R$ 108 milhões, posteriormente elevado a R$ 157,1 milhões, para instalação de pontos de internet gratuita na capital paulista.

Karina Ferreira da Gama é sócia da produtora Go UP Entertainment Ltd, responsável pelo filme “Dark Horse” (Azarão), que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. As duas organizações compartilham endereços, inicialmente na Avenida Paulista e, mais recentemente, na rua Hadock Lobo, nos Jardins, sem as devidas atualizações cadastrais.

A investigação da 2ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro aponta graves irregularidades desde a contratação da ONG. O chamamento público contou com a participação exclusiva do instituto, que não possuía histórico ou experiência técnica em telecomunicações, sua atuação anterior limitava-se a feiras de livros e eventos literários ou religiosos.

Os valores praticados pela entidade também chamaram atenção dos investigadores. Enquanto a Prodam, empresa de tecnologia da Prefeitura, cobrava cerca de R$ 230 por ponto instalado e R$ 306 por manutenção mensal, o contrato com o ICB previa R$ 1.800 mensais por ponto, gerando custo muito superior ao de mercado.

Além disso, a ONG instalou apenas 3.200 dos 5 mil pontos previstos no cronograma original, que previa entrega total até junho de 2025. Para justificar atrasos, foram assinados três aditivos em curto espaço de tempo. A Prefeitura realizou ainda antecipação de pagamentos no valor de R$ 26 milhões sem a correspondente prestação de serviço, incluindo repasses de mais de R$ 11 milhões em julho e agosto de 2024, quando apenas seis pontos funcionavam.

A operação cumpre mandados tanto nos endereços ligados à empresária quanto na Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, responsável pelo contrato assinado na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).Notas fiscais irregularesA apuração também identificou o uso de ao menos R$ 4 milhões em notas fiscais canceladas ou emitidas pelo próprio instituto para si mesmo na prestação de contas. Um exemplo envolve a Complexsys Soluções Integradas Ltda., empresa de um sócio próximo de Karina, que emitiu nota de R$ 2 milhões posteriormente cancelada no mesmo dia, mas ainda assim apresentada à Prefeitura.

O Ministério Público de São Paulo também investiga o caso. A ONG nega irregularidades e afirma que problemas nas notas já estão sendo regularizados. A Prefeitura de São Paulo declarou estar à disposição para colaborar com as autoridades e afirmou não ter identificado falhas no processo até o momento. “Se houver irregularidade, tomaremos todas as providências de forma rigorosa”, disse o prefeito Ricardo Nunes.

A empresária Karina Ferreira da Gama não se manifestou sobre a operação até o fechamento desta reportagem. O caso continua em andamento e pode revelar novos desdobramentos sobre a execução do projeto de wi-fi gratuito nas periferias da cidade.


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