PF investiga Virginia Fonseca por R$ 22,4 milhões em repasses

Relatórios do Coaf levantam suspeitas sobre empresa da influenciadora e ex-marido Zé Felipe
Por: Brado Redação 08.jun.2026 às 10h48
PF investiga Virginia Fonseca por R$ 22,4 milhões em repasses
Crédito: redes sociais

A Polícia Federal abriu investigação para apurar movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo a influenciadora Virginia Fonseca. Os relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontam que a empresa Talismã Digital, ligada a ela e ao cantor Zé Felipe, recebeu R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024. Desse total, R$ 21,4 milhões chegaram por meio de 44 transferências via Pix e R$ 1 milhão por TED.

A maior parte dos recursos, R$ 17,7 milhões, veio da Amp Pay Marketing em apenas cinco operações via Pix. A empresa está enquadrada no Simples Nacional, regime que limita o faturamento anual a R$ 4,8 milhões, o que chamou atenção dos investigadores. A Talismã Digital encerrou suas atividades em 2025.

As apurações também examinam possíveis ligações entre empresas de Virginia, a processadora de pagamentos Amp Pay e plataformas de apostas online. Em 2024, a influenciadora chegou a ser convocada pela CPI das Bets no Senado para prestar esclarecimentos sobre publicidade de casas de apostas. Embora o relatório final da comissão tenha sido rejeitado, os documentos reunidos ajudaram a embasar a atual investigação da PF.

Outro ponto analisado envolve o sócio-administrador da WePink, Thiago Stabile, e relações societárias anteriores com a Pink Lash. A empresa teria tido, no passado, conexão com Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC, presa em caso de lavagem de dinheiro e associação ao crime organizado.

A investigação ganha repercussão às vésperas da Copa do Mundo de 2026, que começa nesta quinta-feira (11). Virginia foi escolhida para integrar a equipe de repórteres da TV Globo na cobertura do torneio e já está nos Estados Unidos.

A defesa da influenciadora negou qualquer irregularidade. Em nota, os advogados afirmaram que não houve movimentação ilegal e que a simples classificação de uma operação como atípica pelo Coaf não configura crime. Sobre a WePink, a nota esclarece que a marca foi fundada em 2021 de forma independente, possui estrutura própria, governança, registros contábeis, documentação fiscal e auditoria externa. A empresa atua no e-commerce e no varejo físico, com quiosques em shoppings, e todos os depósitos em dinheiro são devidamente conciliados com emissão de notas fiscais.

Segundo a revista Piauí, a WePink faturou R$ 1,3 bilhão em 2025. A defesa reforça que não existe qualquer vínculo societário, operacional ou financeiro entre a WePink e a Pink Lash ou pessoas ligadas ao crime.



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