Senado aprova urgência de projeto que muda a Lei de Ficha Limpa

Proposta é criticada por entidades ligadas à transparência e combate à corrupção
Por: Brado Jornal 29.ago.2024 às 09h49
Senado aprova urgência de projeto que muda a Lei de Ficha Limpa
Edilson Rodrigues/Agência Brasil

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (28), requerimento para acelerar a tramitação de um projeto de lei que enfraquece a Lei da Ficha Limpa. Essa proposta aprovada é criticada por entidades ligadas à transparência e combate à corrupção. A expectativa é que o plenário da Casa vote a matéria na próxima semana.

A votação se deu de forma simbólica e apenas Eduardo Girão (Novo-CE) manifestou voto contrário.

A proposição cria novas condições para o começo da contagem do prazo de inelegibilidade de candidatos e beneficiará mesmo candidatos que já foram condenados, encurtando o tempo de afastamento dos pleitos.

Se aprovado, o projeto encurtaria o prazo de inelegibilidade de, entre outros, do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), que poderá disputar o pleito de 2026, e do próprio deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), que viu seu processo de cassação ser aprovado no Conselho de Ética nesta quarta.

Segundo um dos articuladores da Lei da Ficha limpa, Márlon Reis, a mudança poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Marlon explica que a redação atual do texto muda a condição de inelegibilidade para quem cometeu abuso de poder econômico ou político, restringindo a condição apenas para os casos em que poderiam anular o resultado eleitoral.

A proposta estabelece três possíveis contagens para o prazo de inelegibilidade. A primeira conta a partir da decisão judicial que decretar a perda do cargo. Ela vale para membros do Poder Executivo e Poder Legislativo em nível federal, estadual e municipal.

A segunda envolve o caso de abuso de poder econômico ou político A contagem do prazo em caso de decisão transitada em julgada pela Justiça Eleitoral que envolverem o tema é iniciada no ano da eleição em que ocorreu o abuso. O candidato apenas se torna inelegível caso cassação do diploma, registro ou mandato, algo não é exigido atualmente.

A terceira é em caso de renúncia após representação de membros do Legislativo ou do Executivo que pode levar a abertura de processo por infringir a Constituição em vários níveis. Nesse caso, a data inelegibilidade começa a partir da renúncia.

Além disso, a matéria assegura que o prazo de inelegibilidade só possam se acumular por até 12 anos. Isso quer dizer que se um candidato ficar inelegível e receber uma nova condenação, independentemente do prazo, ele só poderá ficar inapto a ser candidato por até 12 anos, não podendo passar desse período.

O projeto de lei complementar especifica que a condição de inelegibilidade exige a comprovação do dolo, ou seja, a intenção deliberada de quem foi condenado por improbidade. Antes, bastava que fosse constatada a voluntariedade da pessoa.

O relator do projeto de lei, Weverton Rocha (PDT) afirmou que o texto é “totalmente pertinente”.

"Da forma que está não pode ficar", disse.

Como mostrou o Estadão, porém, seis organizações da sociedade civil criticando a proposta, dizendo que causará “retrocessos para o combate à corrupção”. Para eles, reduzir o prazo de inelegibilidade contribui apenas aos interesses dos condenados.

"A diminuição de tal prazo, conforme estabelecido pelo projeto em questão, contribui única e exclusivamente para a salvaguarda dos interesses daqueles que já se encontram na posição de representantes da cidadania, mas não foram capazes de desempenhar com retidão e moralidade tal função", diz a nota, assinada por seis organizações.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Coronel pode migrar para o Podemos e enfraquecer base de Jerônimo
Família política avalia mudança de sigla para reeleição e arrasta parlamentares, deixando PT com menos aliados na Bahia
Jerônimo nega acordo com PSD para vice e fala apenas em conversa com Otto Alencar
Governador baiano descarta compromisso firmado e pede cautela nas declarações sobre composição da chapa
Lula defende fortalecimento da defesa para evitar invasões
Presidente alerta para risco de ocupação externa e propõe parceria industrial com África do Sul para independência em equipamentos militares
Delegado que indiciou Bolsonaro vira assessor de Alexandre de Moraes no STF
Fábio Shor, que liderou investigação sobre trama golpista, agora integra gabinete do ministro no Supremo
PL rompe com Ibaneis Rocha e protocola pedido de CPI para investigar envolvimento do BRB no Caso Master
Partido Liberal cita gestão temerária e influência política externa no banco estatal do DF, marcando rompimento com governador em meio a disputa por vagas no Senado
Carregando..