Lula rebate críticas da Economist sobre influência global e popularidade

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma carta para responder às acusações da revista britânica The Economist, que apontou uma suposta perda de relevância internacional do Brasil e crescente impopularidade do petista no país
Por: Brado Jornal 01.jul.2025 às 07h46
Lula rebate críticas da Economist sobre influência global e popularidade
Foto: The Economist

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma carta para responder às acusações da revista britânica The Economist, que apontou uma suposta perda de relevância internacional do Brasil e crescente impopularidade do petista no país. A correspondência, assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, será encaminhada à embaixada brasileira em Londres, defendendo a postura do Brasil contra os ataques dos Estados Unidos ao Irã, criticada pela revista como um fator de isolamento em relação às democracias ocidentais.

A Economist destacou que “a simpatia do Brasil com o Irã deve continuar em 6 e 7 de julho, quando o Brics, um grupo de 11 economias de mercados emergentes, incluindo Brasil, China, Rússia e África do Sul, realiza sua cúpula anual no Rio de Janeiro. O Irã, que se tornou integrante do Brics em 2024, deve enviar uma delegação. O grupo é atualmente presidido pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula. Originalmente, ser um membro ofereceu ao Brasil uma plataforma para exercer influência global. Agora, faz o Brasil parecer cada vez mais hostil ao Ocidente”. Lula, que preside temporariamente o Mercosul, não abordará na carta as críticas sobre a falta de diálogo com o presidente argentino, Javier Milei (La Libertad Avanza), com quem mantém tensões ideológicas.

A revista também criticou a relação de Lula com líderes como Nicolás Maduro, da Venezuela, afirmando que “Lula não conversa com o presidente argentino, Javier Milei, por diferenças ideológicas. Quando assumiu o cargo pela 3ª vez, em 2023, abraçou Nicolás Maduro, o autocrata da Venezuela, apesar de o país ter se tornado uma ditadura”. Além disso, apontou a queda de popularidade do presidente: uma pesquisa PoderData, realizada entre 31 de maio e 2 de junho de 2025, indicou 56% de desaprovação ao governo Lula, contra 39% no início do mandato.

Outro ponto levantado pela Economist é a relação de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano). A revista considera o petista “pouco pragmático” e afirma que “Lula parece relutante ou incapaz de reunir as nações latino-americanas para apresentar uma frente unida contra as deportações de imigrantes e a guerra tarifária de Trump”. A publicação também sugere que o movimento Make America Great Again (Maga) de Trump está alinhado à direita brasileira, mas observa que “Trump não disse quase nada sobre o Brasil desde que assumiu o cargo”.

A Economist argumenta que o déficit comercial do Brasil com os EUA, citado como US$ 30 bilhões anuais, favorece Trump, que valoriza países que compram mais dos EUA. Contudo, a revista parece errar ao citar esse valor: dados do Ministério da Indústria mostram que o maior déficit comercial com os EUA foi de US$ 13,9 bilhões em 2022, caindo para US$ 253 milhões em 2024. A publicação conclui que “em parte, isso pode ser porque o Brasil, relativamente distante e geopoliticamente inerte, simplesmente não importa tanto quando se trata de questões de guerra na Ucrânia ou no Oriente Médio. Lula deveria parar de fingir que importa e se concentrar em questões mais próximas”.




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