O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, esteve na Bahia na última terça-feira (9) para participar da Bahia Farm Show, a maior feira de agronegócio do Norte e Nordeste, realizada em Luís Eduardo Magalhães. A visita, contudo, não gerou o impacto esperado e foi avaliada por políticos do Centrão presentes no evento como um “fracasso político”.
De acordo com relatos de lideranças centristas que acompanharam o evento, a presença de Flávio não empolgou o público principal da feira: os produtores rurais. Seu discurso foi considerado fraco e pouco inspirador, repetindo jargões conhecidos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sem apresentar propostas concretas ou novidades que conectassem com as demandas do setor agro baiano.
A participação do senador se concentrou, segundo as mesmas fontes, em um grupo restrito de militantes bolsonaristas, formado majoritariamente por candidatos e pré-candidatos alinhados ao PL. “Foi mais um ato para militância do que um diálogo real com o agro”, resumiu um político do Centrão que pediu para não ser identificado.
A avaliação interna é de que a visita serviu, na prática, para reforçar uma percepção já disseminada nos bastidores: o bolsonarismo nunca teve força consolidada na Bahia e, atualmente, tem ainda menos tração. O Oeste baiano, embora seja um reduto mais favorável ao ex-presidente em eleições passadas, não se traduziu em adesão ampla ao filho. Grande parte dos produtores e empresários do agro evitou se aproximar, e não circularam fotos de lideranças expressivas do setor ao lado de Flávio.
A repercussão na mídia baiana também foi considerada pífia. Coberturas locais registraram a presença, mas sem destaque ou imagens marcantes, o que contrasta com a expectativa inicial de que a agenda pudesse projetar Flávio como nome viável para 2026 no Nordeste. Ausências notadas, como a do pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), reforçaram o isolamento da agenda bolsonarista no estado.
Durante o discurso, Flávio criticou o governo Lula, afirmando que o presidente “persegue o agro” e trata produtores como “fascistas e bandidos”. Ele exaltou o legado do pai na regularização fundiária e no Bolsa Família, mas o tom repetitivo e a falta de conexão com pautas locais foram apontados como limitantes.
Aliados do Centrão veem a passagem de Flávio como “forçada” e pouco natural. “Ele tenta replicar o estilo do pai, mas não tem o mesmo carisma nem a mesma espontaneidade”, disse outra fonte presente. Para esses grupos, a agenda reforça as dificuldades do PL em ampliar sua base na Bahia, estado historicamente dominado por outras forças políticas.
A Bahia Farm Show 2026 segue até o dia 13 de junho com ampla programação técnica e comercial, reunindo milhares de produtores, empresas e autoridades. A presença de Flávio Bolsonaro, embora registrada, não deve ser lembrada como um marco da edição.
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