Gonet conclui parecer contra Bolsonaro após tarifas de Trump

Procurador-geral mantém condenação em meio a tensões com os EUA
Por: Brado Jornal 11.jul.2025 às 08h30 - Atualizado: 11.jul.2025 às 08h30
Gonet conclui parecer contra Bolsonaro após tarifas de Trump
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Fotos de Cristiano Mariz/O Globo e Brenno Carvalho/O Globo
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, finalizou um parecer que será entregue até segunda-feira (14.jul.2025) ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual defende a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por liderar uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice Geraldo Alckmin. A conclusão do documento ocorre dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, em resposta às investigações contra Bolsonaro no STF.

Integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmaram reservadamente que as tensões diplomáticas entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, que impactam até a economia brasileira, não influenciarão o trabalho da PGR. “Essa verborragia do Trump precisa ser solenemente desprezada”, declarou um membro da cúpula da PGR. Segundo apuração, Gonet sinalizou que o embate internacional não alterará a posição da Procuradoria, que considera a denúncia contra Bolsonaro robusta.

O caso, um dos mais relevantes da história do STF, pode resultar na prisão do ex-presidente e deve ser julgado pela Primeira Turma da Corte até setembro de 2025. Advogados de outros réus preveem um parecer “duríssimo” de Gonet, com estimativas de uma pena de pelo menos 20 anos para Bolsonaro, podendo chegar a 30 anos no cenário mais pessimista do entorno bolsonarista. “Acho que vem paulada em todos”, afirmou o defensor de um dos réus. A PGR aponta Bolsonaro como líder de uma organização criminosa que planejou uma intentona golpista, e a expectativa é que sua pena supere as de outros réus, como os condenados pelos atos de 8 de janeiro, que receberam sentenças entre 14 e 17 anos.

Moraes, que agilizou a tramitação do processo, determinou que os prazos não serão suspensos durante o recesso do STF (2 a 31 de julho), justificando a medida pela prisão do general Walter Braga Netto, considerado parte do “núcleo crucial da trama golpista”. A denúncia da PGR foi reforçada por depoimentos, especialmente o do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior. Em uma hora e 20 minutos, em maio de 2025, ele confirmou reuniões no Palácio da Alvorada onde Bolsonaro discutiu uma minuta golpista para impedir a posse de Lula, relatou ameaças de prisão feitas pelo ex-comandante do Exército Freire Gomes contra o ex-presidente e afirmou que o plano fracassou por falta de apoio unânime das Forças Armadas. Baptista Junior também revelou discussões sobre a prisão de Moraes após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022.


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