Gilmar Mendes enfrenta aliados de Bolsonaro em diálogo tenso sobre Lei Magnitsky

Encontro revela pressões para mudar rumos de investigações e alertas sobre sanções americanas
Por: Brado Jornal 01.ago.2025 às 08h49
Gilmar Mendes enfrenta aliados de Bolsonaro em diálogo tenso sobre Lei Magnitsky
Foto: Divulgação/STF
Na segunda-feira (28), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes promoveu um encontro com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para discutir a crise entre bolsonaristas e o Judiciário. A reunião, intermediada pelo ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, contou com a presença do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

Durante o jantar, que durou cerca de duas horas e meia, os aliados de Bolsonaro sugeriram que as investigações relacionadas à trama golpista, envolvendo o ex-presidente, fossem transferidas para a primeira instância como forma de amenizar o conflito. A conversa, descrita como “dura e ruim” por fontes presentes, não resultou em avanços imediatos, mas as partes concordaram em manter o diálogo aberto.

Horas antes da aplicação da Lei Magnitsky, que teria como alvos o ministro Alexandre de Moraes e possivelmente outros membros do STF, os bolsonaristas alertaram Gilmar sobre a iminente decisão do governo americano. Em resposta, segundo pessoas presentes, o ministro afirmou que, caso isso ocorresse, “a Corte poderia determinar que instituições financeiras que atuam no Brasil não cumpram ordens vindas dos EUA”.

Na terça-feira (29), Gilmar Mendes teve uma conversa telefônica com Fábio Wajngarten, ex-ministro de Bolsonaro e advogado próximo ao ex-presidente. Wajngarten, que esteve recentemente em Miami com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), discutiu com o ministro a necessidade de encontrar um “denominador comum” para reduzir as tensões. A relação pré-existente entre Gilmar e Wajngarten contribuiu para um diálogo mais fluido, embora sem consensos concretos.

Apesar da falta de acordos, a disposição de Gilmar para negociar trouxe alguma expectativa ao entorno de Bolsonaro, que vê no voto divergente do ministro Luiz Fux uma possível brecha para alterar o curso das investigações. O canal de comunicação permanece aberto para futuras rodadas de diálogo, mas a crise segue sem resolução imediata.



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