Câmara planeja votar PECs sobre proteção parlamentar e fim do foro privilegiado nesta quarta

Reforma no Legislativo ganha força com votação de propostas polêmicas
Por: Brado Jornal 27.ago.2025 às 07h52
Câmara planeja votar PECs sobre proteção parlamentar e fim do foro privilegiado nesta quarta
Foto: Reuters/Mateus Banomi
A Câmara dos Deputados deve analisar, nesta quarta-feira (27), duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que abordam questões cruciais para o funcionamento do Legislativo e sua relação com o Judiciário. A primeira proposta busca proteger parlamentares contra ações judiciais, enquanto a segunda visa extinguir o foro privilegiado para autoridades em crimes comuns. As decisões ocorrem em um contexto de tensões com o Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga o uso de emendas parlamentares.PEC da proteção parlamentar
A PEC que fortalece a imunidade dos parlamentares foi proposta em 2021 pelo então deputado Celso Sabino (União-PA), hoje ministro do Turismo, durante a gestão do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Ressuscitada pelo atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), a proposta estabelece que:

  • Parlamentares não podem ser afastados do mandato por decisões judiciais;
  • Em caso de prisão em flagrante por crime inafiançável, deputados e senadores ficam sob custódia da Câmara ou do Senado, respectivamente, até decisão do plenário sobre a manutenção da prisão;
  • Não podem ser responsabilizados civil ou penalmente por “opiniões, palavras e votos, cabendo exclusivamente a responsabilização ético-disciplinar”;
  • Medidas cautelares que impactem o mandato, como prisão domiciliar, só terão efeito após confirmação pelo plenário do STF.
A proposta também sugere que deputados e senadores só sejam investigados ou processados por crimes comuns com autorização prévia do Legislativo, retomando regra da Constituição de 1988, alterada em 2001. O relator, deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), apresentará seu parecer aos líderes na manhã desta quarta. Segundo os deputados Pedro Lucas (União-MA) e Luizinho (PP-RJ), a intenção é aprovar a PEC em dois turnos ainda hoje e encaminhá-la ao Senado.

 A votação ocorre após acordo liderado por Arthur Lira para encerrar a ocupação da Mesa Diretora por deputados da oposição. Hugo Motta retomou o controle da Mesa na última semana, conforme imagem registrada por Reuters/Mateus Banomi.

Líderes partidários expressaram visões divergentes. “A maioria das pessoas entendeu que esse é o melhor momento de fazer”, disse o líder do PDT, Mário Heringer (PDT-MG). Já o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), destacou: “É um tema que divide. Não existe um texto definido ainda. De hoje para amanhã haverá novas conversas e negociação.”Contexto de embate com o STFA votação da PEC coincide com investigações do STF sobre emendas parlamentares. No sábado (24), o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal abra inquéritos para apurar 964 planos de trabalho de emendas não cadastrados corretamente no sistema oficial do governo, totalizando R$ 694,6 milhões, conforme nota técnica do Tribunal de Contas da União (TCU). Sete ministros do STF Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Nunes Marques, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli conduzem inquéritos que investigam cerca de 80 parlamentares e ex-parlamentares por suspeitas de desvios.Fim do foro privilegiado em debateOutra PEC na pauta busca eliminar o foro privilegiado para autoridades em crimes comuns, como roubo, lavagem de dinheiro e corrupção. Caso aprovada, o STF perderia competência para julgar esses casos. No entanto, deputados indicam que a proposta não tem apoio suficiente e pode ser rejeitada, encerrando o debate. “A ideia é votar para ser derrotada e enterrada”, afirmam fontes do Legislativo.Restrição a ações no STFA Câmara também analisará um projeto que limita a proposição de ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) e ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs) no STF. De autoria do deputado Luizinho (PP-RJ), a proposta exige que partidos políticos tenham ao menos 20 parlamentares (deputados ou senadores) para propor tais ações. O objetivo, segundo Luizinho, é “dar maior densidade normativa aos requisitos de legitimação ativa”, promovendo segurança jurídica e evitando o uso indevido do controle de constitucionalidade.

Atualmente, podem propor ADIs e ADCs: o presidente da República, as Mesas do Senado e da Câmara, as Mesas de Assembleias Legislativas ou da Câmara Legislativa do DF, governadores, o Procurador-Geral da República, o Conselho Federal da OAB, partidos com representação no Congresso e confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional.


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Filho de Lula deixa o Brasil rumo a Madri em meio a apurações da PF sobre fraudes no INSS
Filho de Lula sai do Brasil para Madri enquanto PF investiga supostos repasses do “Careca do INSS”
CPMI do INSS pode levar “muita gente à cadeia” ao investigar esquema do Banco Master, diz Damares Alves
CPMI do INSS avança em investigação de fraudes no consignado e promete prender envolvidos no esquema do Banco Master, afirma senadora Damares
O governo Lula pode igualar o recorde de 39 ministérios com a criação de uma pasta exclusiva para segurança pública
Debate sobre desmembramento da Justiça ganha força após saída de Lewandowski
Posto com sócios deputado e ex-prefeito assina contrato de R$ 7 milhões em Correntina
Fornecimento de 1,162 milhão de litros ainda não ocorreu, afirma defesa de Dal Barreto
Execução de manifestante marcada para quarta no Irã
Hengaw alerta para pena de morte contra jovem preso em protestos de Karaj
Mansão no Lago Sul serve como base de Lulinha em Brasília e tem ligação com lobista ligada ao Careca do INSS
Imóvel de luxo alugado por Roberta Luchsinger é usado pelo filho do presidente durante visitas à capital; mensagens da PF revelam orientações para descarte de celulares e menções diretas a Fábio Luís
Carregando..