Durante entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (29.ago.2025), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou um deputado, sem mencioná-lo diretamente, por espalhar desinformação contra uma proposta da Receita Federal voltada para combater o crime organizado. A fala, feita ao lado da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), apontava para Nikolas Ferreira (PL-MG), que já se opôs a mudanças nas regras de fiscalização financeira.
Lula associou a campanha do parlamentar a uma brecha que favoreceu esquemas de lavagem de dinheiro do PCC, conforme revelado pela megaoperação da Polícia Federal deflagrada na quinta-feira (28.ago.2025). Ele classificou a ação policial como “o maior marco nos 525 anos de história do Brasil” e prometeu intensificar investigações contra articuladores políticos e financiadores do crime organizado, que, segundo ele, atua como uma “multinacional” infiltrada em setores como política, futebol, Justiça e mercado internacional. “Vamos expor quem está envolvido”, afirmou.
O presidente também destacou que a operação reforça a importância da PEC da Segurança, que visa melhorar a cooperação entre União e Estados no combate ao crime. Em tom de alerta, Lula mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dizendo que ele “deve tomar cuidado”, mas negou fazer acusações sem provas, afirmando que as investigações revelarão os envolvidos.
Nikolas Ferreira rebateu as declarações de Lula no mesmo dia, classificando-as como “canalhice” em seu perfil no X e anunciando que acionará a Justiça contra o presidente. A polêmica envolve a revogação, em 15 de janeiro, de uma instrução normativa da Receita Federal que monitorava transações acima de R$ 5.000 no Pix e ampliava a fiscalização sobre bancos digitais e fintechs, usadas pelo PCC para lavagem de dinheiro, segundo as operações Carbono Oculto, Quasar e Tank.
A Receita Federal informou na quinta-feira (28.ago.2025) que a onda de fake news, impulsionada por um vídeo viral de Nikolas Ferreira contra a medida, levou à sua revogação após apenas 15 dias. A norma alterava a e-Financeira, aumentando a transparência em operações financeiras, mas foi associada, de forma equivocada, à criação de um imposto sobre o Pix. A decisão de recuar, elogiada na época pela ministra Gleisi Hoffmann, manteve vulnerabilidades que, segundo a Receita, foram exploradas pelo PCC em fraudes no setor de combustíveis.
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