Governador do Tocantins afastado por suspeita de desvio de recursos públicos

Investigação da PF aponta uso de verbas da pandemia em empreendimento de luxo registrado em nome do filho de Wanderlei Barbosa
Por: Brado Jornal 04.set.2025 às 08h03
Governador do Tocantins afastado por suspeita de desvio de recursos públicos
Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) revelou que recursos públicos desviados durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021, foram utilizados na construção de um empreendimento de alto padrão, a Pousada Pedra Canga, localizada na Serra de Taquaruçu, distrito de Palmas, Tocantins. O imóvel está registrado em nome de Rérison Antônio Castro Leite, filho do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos). A investigação, parte da Operação Fames-19, estima que cerca de R$ 2,4 milhões foram direcionados ao projeto entre junho de 2022 e julho de 2024.

As apurações indicam que o esquema envolveu fraudes em contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados, financiados por emendas parlamentares. Durante o período investigado, os contratos, que totalizaram cerca de R$ 97 milhões, teriam causado um prejuízo estimado de R$ 73 milhões aos cofres públicos. A PF aponta que empresas de fachada ou recém-criadas eram usadas para simular concorrências e entregas parciais, enquanto os recursos eram desviados para fins pessoais, incluindo a construção da pousada, compra de gado e pagamento de despesas dos envolvidos.

Interceptações de conversas sugerem que Wanderlei Barbosa teria usado o nome do filho para ocultar patrimônio. Para justificar os aportes financeiros, os valores foram registrados como contribuições de “investidor-anjo”, uma prática comum em negócios, mas que, segundo a PF, foi utilizada para mascarar a origem ilícita do dinheiro. “Na cúpula do esquema foi identificada a atuação de agentes do alto escalão do governo do Estado do Tocantins, iniciando pelo atual governador do Estado, Wanderlei Barbosa Castro, e por sua esposa Karynne Sotero”, diz a decisão judicial.

A PF também destaca que assessores próximos e servidores do governo operacionalizavam os contratos fraudulentos, reforçando a suspeita de que Barbosa tinha conhecimento e papel central no esquema.

Além da pousada, a investigação identificou saques expressivos em espécie, como R$ 32,2 mil encontrados no gabinete de Barbosa no Palácio Araguaia, junto a carimbos do governador e de seu chefe de gabinete, Marcos Martins Camilo. Outros R$ 35,5 mil, US$ 1,1 mil e 80 euros foram apreendidos em um escritório na residência do governador. Esses valores, segundo a PF, reforçam a prática de corrupção passiva no Executivo estadual.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por decisão do ministro Mauro Campbell, determinou o afastamento de Wanderlei Barbosa e da primeira-dama, Karynne Sotero Campos, secretária extraordinária de Participações Sociais, por 180 dias. A medida, confirmada pela Corte Especial do STJ, inclui a proibição de acesso a prédios públicos, como o Palácio Araguaia e a Assembleia Legislativa, e a suspensão das atividades de empresas envolvidas no esquema. Campbell destacou que o casal, junto a deputados estaduais e servidores, transformou a estrutura do governo em “instrumento de atividades criminosas”.

Em nota, Wanderlei Barbosa afirmou: “Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa. 

Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes. Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.”

A Operação Fames-19, em sua segunda fase, mobilizou mais de 200 policiais para cumprir 51 mandados de busca e apreensão em cidades como Palmas, Araguaína, Distrito Federal, Paraíba e Maranhão. A investigação continua para identificar outros envolvidos e consolidar provas.




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