Manifestação em apoio a Bolsonaro atrai 48.800 pessoas na Avenida Paulista em meio a tensão no STF

Julgamento da 1ª Turma pode definir condenação ou absolvição do ex-presidente por suposta tentativa de golpe
Por: Brado Jornal 08.set.2025 às 08h20
Manifestação em apoio a Bolsonaro atrai 48.800 pessoas na Avenida Paulista em meio a tensão no STF
Reprodução
No domingo (7.set.2025), cerca de 48.800 apoiadores de Jair Bolsonaro se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, para defender a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, que resultaram na invasão dos prédios dos Três Poderes, e também para manifestar solidariedade ao ex-presidente. O ato ocorreu em um momento crucial, dias antes de a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomar o julgamento de Bolsonaro e outros sete réus por suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado, com sessões marcadas para 9, 10, 11 e 12 de setembro de 2025.

A estimativa de público foi calculada pelo Poder360 com base em fotos aéreas de alta resolução capturadas por drone entre 16h02 e 16h04, no auge da concentração, especialmente durante o discurso do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A análise considerou densidades variadas, de 1 a 5 pessoas por metro quadrado, dependendo da aglomeração. Já a Universidade de São Paulo (USP) apontou um número um pouco menor, de aproximadamente 42.200 participantes, com margem de erro de 12%, o que indica uma faixa entre 37.100 e 47.300 pessoas, utilizando o software Point to Point Network.

O evento destacou a articulação recente de Tarcísio de Freitas em favor da anistia, reforçando o apoio ao ex-presidente mesmo sem sua presença física. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto de 2025, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Comparado ao ato anterior de 3 de agosto de 2025, que reuniu 57.600 pessoas na mesma avenida, o público deste domingo foi menor, mas ainda demonstra a capacidade de mobilização da direita sem o ex-mandatário no local.

O julgamento na 1ª Turma do STF envolve acusações de cinco crimes contra Bolsonaro e os demais réus: organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, todos relacionados aos eventos de 8 de janeiro de 2023. Moraes deve apresentar seu voto em 9 de setembro, iniciando as deliberações. Caso condenado, Bolsonaro pode receber uma pena mínima de 12 anos e máxima de 43 anos de prisão, com as sanções definidas individualmente e só executáveis após esgotados todos os recursos. Como ex-presidente, ele cumprirá eventuais penas em uma cela especial, na prisão federal de Papuda ou na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Os outros réus incluem Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens do presidente), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (ex-ministro-chefe da Casa Civil). A 1ª Turma é composta pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin (presidente da turma), Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Historicamente, atos pró-Bolsonaro desde 2023 registraram variações de público, com o maior deles estimado em 300.000 a 350.000 pessoas em 25 de fevereiro de 2024, também em São Paulo. O foco atual na anistia ganhou impulso com as movimentações de Tarcísio, em um contexto de expectativa sobre o desfecho judicial que pode impactar o cenário político.


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