Senado aprova por unanimidade isenção de IR para rendas de até R$ 5 mil

Medida de alívio fiscal beneficia 16 milhões de contribuintes a partir de 2026 e avança promessas de campanha do governo Lula
Por: Brado Jornal 06.nov.2025 às 10h31
Senado aprova por unanimidade isenção de IR para rendas de até R$ 5 mil
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O Senado Federal aprovou de forma unânime, nesta quarta-feira (5), o Projeto de Lei 1.087/2025, que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para rendas mensais de até R$ 5 mil. Relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), o texto foi mantido idêntico à versão aprovada pela Câmara dos Deputados, o que acelera sua tramitação e evita retornos desnecessários entre as casas legislativas. A proposta agora segue diretamente para sanção presidencial, com expectativa de que o presidente Lula (PT) a assine ainda nesta semana, garantindo vigência a partir de 2026.

Essa iniciativa integra o conjunto de ações para aliviar a carga tributária sobre a classe média e trabalhadores de menor renda, cumprindo uma das bandeiras centrais da campanha eleitoral de Lula. De acordo com projeções do governo federal, cerca de 16 milhões de brasileiros serão diretamente beneficiados pela mudança, que ajusta a tabela progressiva do IRPF. Pela nova estrutura, contribuintes com ganhos de até R$ 5 mil ficarão integralmente livres do imposto, enquanto aqueles com rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350 enfrentarão uma tributação gradual e reduzida. As alíquotas mais elevadas, de até 27,5%, permanecem aplicáveis apenas às faixas superiores de renda.

Para assegurar a neutralidade fiscal da medida, o projeto incorpora uma taxação de até 10% sobre lucros e dividendos que superem R$ 600 mil por ano, conforme delineado pelo Ministério da Fazenda. Essa compensação evita impactos negativos nas contas públicas, equilibrando as renúncias de receita com fontes alternativas de arrecadação.

A votação no plenário ocorreu poucas horas após a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado endossar a proposta por meio de uma votação simbólica. Renan Calheiros, ao apresentar seu relatório, defendeu a preservação do texto original para agilizar a implementação, destacando a importância de priorizar agendas nacionais sobre interesses setoriais. “Como explicar à Nação que uma proposta desta magnitude estivesse subordinada a interesses de minorias, outras agendas não prioritárias e rechaçadas pela população?”, questionou o relator, em referência indireta a entraves na Câmara. “Ele [o projeto] esteve condicionado à aprovação da PEC da Blindagem, regalia indefensável que [enterramos], e até mesmo à anistia, para a qual chegaram a [votar a urgência]. Uma subordinação espúria, divorciada dos anseios nacionais.”

O avanço da matéria ganhou impulso após a CAE, presidida por Renan, aprovar um substitutivo similar em 24 de setembro, o que pressionou os deputados a agilizarem a análise. Uma semana depois, em 1º de outubro, a Câmara chancelou o projeto do Executivo. Anteriormente, a proposta havia enfrentado demora de sete meses na casa baixa, sob relatoria do deputado Arthur Lira (PP-AL), rival político de longa data de Calheiros em Alagoas. Durante a sessão, o senador alagoano ironizou o atraso: “dormitou na Câmara durante atípicos sete meses, indicando uma inapetência, uma indisposição política para aprová-lo”.

Paralelamente, Renan articulou a pauta para uma proposta complementar de sua autoria, relatada pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), que eleva a tributação sobre instituições financeiras, fintechs e casas de apostas. Essa iniciativa, prevista para votação na próxima semana, pode gerar até R$ 6,6 bilhões em arrecadação adicional até 2028, reforçando o arcabouço de equilíbrio fiscal ao lado da isenção do IR.

O governo celebra o desfecho como uma conquista estratégica, especialmente no horizonte eleitoral de 2026, ao concretizar reduções tributárias que impactam diretamente o bolso de milhões de famílias. Com a regulamentação da nova tabela do IRPF em curso, a medida promete ampliar o poder de compra da população de baixa e média renda, em um contexto de esforços contínuos para justiça social e estabilidade econômica.


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
A polícia resgata mulher amarrada em árvore e apreende armas na operação Força Total
Balanço da segunda fase da ação na Bahia destaca intervenção em sequestro e combate a crimes variados
Escândalo de traição abala o PSOL e agita os bastidores do Congresso
Deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) é acusado de infidelidade com a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), parceira de Fernanda Melchionna (PSOL-RS); separação do casal foi anunciada em fevereiro e gerou racha interno no partido gaúcho e carioca
Segunda edição da Operação Força Total de 2026 termina com 40 prisões em flagrante e 25 armas de fogo retiradas de circulação na Bahia
Mobilização de 24 horas pela Polícia Militar resultou em resgate de vítima de cárcere privado em Itagimirim, desarticulação de torneios ilegais de aves em Salvador, recuperação de nove veículos roubados e 32 ocorrências ligadas ao tráfico de drogas em várias regiões
Governo Federal volta atrás e revoga tarifas de importação para 105 itens de bens de capital e informática
Comitê Gecex atende reivindicação do setor produtivo e zera alíquotas que seriam aplicadas a partir de março; smartphones e outros 15 produtos de informática mantêm taxa de 16%; medida faz parte de ajuste na elevação aprovada em fevereiro para proteger indústria nacional
Polícia Federal analisa movimentações bancárias de Lulinha no caso do INSS
Investigação avança com cruzamento de dados financeiros do filho do presidente e de outros suspeitos; quebra de sigilos foi autorizada antes de decisão do STF
Ex-dirigentes do INSS citam Carlos Lupi em delações premiadas sobre esquema de descontos ilegais
André Fidelis e Virgílio de Oliveira Filho mencionam ex-ministro da Previdência em acordos de colaboração; relatos apontam proteção a investigados e demora em ações durante gestão no governo Lula
Carregando..