A escolha do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), que ocupa a presidência da Câmara, de prosseguir com julgamentos de dois processos de cassação de mandato sem atender às expectativas iniciais em nenhuma das situações, transformou-o em foco de duras condenações vindas de todos os Três Poderes da República.
Mesmo companheiros de longa trajetória classificaram o desfecho da reunião que se estendeu até a madrugada desta quinta-feira resultando na preservação do cargo de Carla Zambelli (PL-SP) e em uma mera punição temporária para Glauber Braga (PSOL-RJ) como "vexatório, humilhante e desmoralizante".
De acordo com um parlamentar influente do centrão, "Motta de fato quer limpar a pauta, mas não adianta jogar a pauta para cima e deixar ela cair na cabeça cheia de meleca".
No âmbito do governo federal, auxiliares do presidente Lula passaram a considerar o chefe da Câmara "inconfiável", embora ele tenha avançado em temas relevantes nos últimos dias, a exemplo da iniciativa que aplica sanções a evasores fiscais reincidentes.
A reação no Supremo Tribunal Federal foi ainda mais incisiva. Entre certos integrantes da Corte, o presidente da Câmara não conta mais com a presunção de boa-fé: seus equívocos deixam de ser vistos como decorrentes de falta de prática, passando a ser interpretados como alinhamento deliberado a uma agenda que, em essência, busca comprometer a autoridade do tribunal.
Após dias marcados por forte impacto negativo na opinião pública, Motta inicia esta sexta-feira imerso em um raro sentimento de isolamento no exercício do cargo.
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