Depoimentos de Vorcaro e diretor do BC marcam nova fase na apuração do caso Master no STF

Controvérsias em torno da acareação determinada por Toffoli
Por: Brado Jornal 30.dez.2025 às 10h36
Depoimentos de Vorcaro e diretor do BC marcam nova fase na apuração do caso Master no STF
NurPhoto via Getty Images
A investigação sobre suspeitas de irregularidades financeiras no Banco Master e no Banco Regional de Brasília (BRB), incluindo a liquidação da instituição privada, ganhou novos contornos no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Dias Toffoli, responsável pela relatoria do inquérito, inicialmente determinou uma acareação entre o controlador do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos.

No entanto, na véspera do procedimento, o STF informou que os envolvidos prestarão depoimentos individuais à Polícia Federal (PF) a partir das 14h desta terça-feira (30), de forma virtual. Cabe à delegada responsável avaliar, após as oitivas, se há necessidade de realizar a acareação para confrontar eventuais divergências. O processo contará com acompanhamento de um juiz auxiliar do gabinete de Toffoli e de representante do Ministério Público.

A medida gerou controvérsias. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, considerou o confronto prematuro, uma vez que os depoimentos individuais ainda não haviam sido coletados, o que dificultaria a identificação de contradições. Apesar disso, Toffoli rejeitou o pedido de suspensão e manteve a urgência, argumentando que "Tendo em vista que o objeto da investigação tange à atuação da autoridade reguladora nacional, sua participação nos depoimentos e acareações entre os investigados é de especial relevância para esclarecimento dos fatos".

O Banco Central também questionou a convocação de seu diretor, pedindo esclarecimentos sobre a condição de Aquino que não é investigado e a razão para a celeridade durante o recesso judiciário. Toffoli respondeu que nem o BC nem Aquino são alvos da apuração, classificando-os como "terceiros interessados".

Juristas consultados por veículos como O Globo destacam que a determinação de acareação de ofício (sem pedido da PF ou PGR) e em fase inicial do inquérito é incomum, podendo constranger o trabalho técnico de fiscalização do BC.Contexto da liquidação e suspeitas de fraudesO Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo BC em 18 de novembro de 2025, no mesmo dia da deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão temporária de Vorcaro e outros executivos. A PF apura fraudes estimadas em até R$ 12,2 bilhões, envolvendo emissão de títulos sem lastro e carteiras de crédito fictícias vendidas ao BRB.

O banco público do Distrito Federal tentou adquirir o Master, mas a operação foi vetada pelo BC. Aquino defendeu internamente a compra como alternativa à liquidação, mas prevaleceu a decisão pela intervenção. Vorcaro e Costa participaram diretamente das negociações.

A quebra do Master é a maior da história recente em impacto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deve ressarcir cerca de 1,6 milhão de investidores em até R$ 250 mil por CPF/CNPJ, com R$ 41 bilhões em CDBs emitidos.

Após habeas corpus concedido pelo TRF-1, Vorcaro e outros executivos foram soltos, mas permanecem monitorados por tornozeleira eletrônica, proibidos de atuar no setor financeiro e de deixar o país.Conexões com autoridades e questionamentos no STFO caso expôs uma rede de relações de Vorcaro em Brasília, incluindo contatos com políticos próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ministros do STF.Toffoli viajou em jato particular para a final da Libertadores em novembro de 2025, ao lado de um advogado defensor de diretor do Master. O ministro confirmou a viagem, mas negou discussão sobre o processo.

Quanto a Alexandre de Moraes, a PF encontrou no celular de Vorcaro contrato de R$ 129 milhões com o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, prevendo honorários mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, sem especificação de causas. O acordo não foi executado devido à liquidação, mas era priorizado internamente. Filhos do casal também atuam em processos ligados a Vorcaro.

Relatos indicam que Moraes contatou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre o Master, o que ambos negam. Nota do STF esclarece que reuniões trataram apenas da Lei Magnitsky: "a primeira no dia 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/07; e a segunda no dia 30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia 22/09. Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do Master pelo BRB". O BC corroborou a versão.

Outras ligações incluem doações eleitorais via cunhado de Vorcaro, maior doador individual às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.Toffoli atraiu o inquérito ao STF em dezembro, justificando foro privilegiado por menção a deputado federal, e impôs sigilo por sensibilidade econômica. Desde então, todas as diligências passam por sua análise exclusiva.

Atualizações recentes indicam que o BC enviou explicações ao TCU sobre a liquidação, defendendo o cumprimento de ritos legais diante das fraudes detectadas. O mercado financeiro expressa preocupação com possível insegurança jurídica caso decisões judiciais interfiram na autonomia regulatória.


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