Em mais um episódio que escancara a seletividade moral da esquerda brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) referiu-se à Erika Hilton (PSOL-SP) no masculino durante evento público no sábado (17). Ao exemplificar os perigos da manipulação de imagens por Inteligência Artificial, Lula disse: “Eles são capazes de tirar uma foto da Erika de vestidinho do jeito que ELE está, com as pernas cruzadas, e colocar Erika sentada pelada aqui”.
O deslize, ou talvez lapso freudiano, ocorreu em contexto de alerta sobre deepfakes, mas o uso do pronome “ele” para um trans gerou imediata repercussão nas redes. Erika Hilton, que já moveu ações judiciais milionárias contra Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro, Pastor Sargento Isidório e Isabella Calil por supostas ofensas transfóbicas envolvendo pronomes ou referências de gênero, até o momento não se manifestou publicamente sobre o caso nem anunciou qualquer medida contra o presidente.
A reação tem sido reveladora: enquanto erros semelhantes de figuras da direita costumam gerar campanhas de cancelamento, processos criminais e pedidos de indenização na casa dos milhões, o episódio envolvendo Lula tem sido tratado com silêncio constrangedor por parte de militantes, influenciadores progressistas e do aliado. Muitos preferem ignorar ou relativizar, alegando “contexto” ou “erro involuntário”, argumentos que raramente são aceitos quando o autor da fala é conservador.
O episódio reforça críticas recorrentes de que o combate à transfobia no Brasil é aplicado de forma seletiva: dura e implacável contra opositores políticos, mas branda ou inexistente quando o deslize vem de aliados do governo ou do campo progressista. Lula, que já defendeu em outras ocasiões (como no caso do visto americano em 2025), mantém relação próxima com Erika, que integra a base de apoio do Planalto em pautas como o fim da escala 6×1 e estratégias de comunicação governamental.Até o fechamento desta matéria, nem a Presidência da República nem a assessoria de Erika Hilton comentaram o incidente. Nas redes, bolsonaristas e conservadores ironizaram: “Se fosse o Nikolas, já teria CPMI, processo e pedido de cassação”. A fala de Lula viralizou principalmente entre perfis de direita, que veem no episódio mais uma prova de dois pesos e duas medidas no discurso identitário da esquerda brasileira.
O caso não deve abalar a aliança política entre PSOL e PT, mas serve como lembrete incômodo de que, para muitos, a “luta contra a transfobia” parece ser menos uma causa de princípios e mais uma ferramenta conveniente de combate político.
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