Caminhada pela Justiça: Nikolas Ferreira lidera marcha de 240 km contra prisões do 8 de Janeiro e condenação de Bolsonaro

Deputado federal avança pela BR-040 com apoio de parlamentares e civis, em ato simbólico que critica abusos judiciais e busca mobilizar apoiadores
Por: Carol Barbalho 20.jan.2026 às 14h37 - Atualizado: 20.jan.2026 às 14h44
Caminhada pela Justiça: Nikolas Ferreira lidera marcha de 240 km contra prisões do 8 de Janeiro e condenação de Bolsonaro
Reprodução / Instagram
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes do bolsonarismo, iniciou na segunda-feira (19) uma caminhada de aproximadamente 240 quilômetros de Paracatu (MG) até Brasília (DF), batizada de "Caminhada pela Justiça e Liberdade".

O ato é um protesto pacífico contra o que o parlamentar classifica como "prisões injustas" relacionadas aos eventos de 8 de janeiro de 2023, invasão aos prédios dos Três Poderes por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e contra a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro cumpre pena na Papudinha. 

No primeiro dia da marcha, Ferreira percorreu 36 quilômetros, partindo de Paracatu, cidade próxima à divisa entre Minas Gerais e Goiás, pela rodovia BR-040.

Nesta terça-feira (20), o deputado retomou o percurso pela manhã, com planos de andar cerca de 40 quilômetros adicionais. De acordo com atualizações recentes em suas redes sociais e relatos de apoiadores, o grupo já ultrapassou os 50 quilômetros totais percorridos até o início da tarde.

Atualmente, Ferreira e seus acompanhantes estão na BR-040, em território goiano, avançando em direção a Brasília, com chegada prevista para o próximo domingo (25).

A jornada, estimada em sete dias, é descrita pelo deputado como um "ato simbólico" para "reavivar a esperança" e pressionar por justiça, incluindo a derrubada do veto presidencial à dosimetria das penas no Congresso, o que poderia beneficiar os condenados pelos atos de 8 de janeiro.

A caminhada ganhou adesão significativa de parlamentares e figuras públicas alinhadas ao bolsonarismo. Até o momento, mais de 20 deputados federais, senadores, deputados estaduais e vereadores anunciaram participação ou apoio, muitos se juntando ao trajeto ou planejando encontrar o grupo nos próximos dias. Entre os nomes confirmados estão:

Deputados federais: Gustavo Gayer (PL-GO), André Fernandes (PL-CE), Carlos Bolsonaro (PL-RJ), Junio Amaral (PL-MG), Maurício do Vôlei (PL-MG), José Medeiros (PL-MT), Carlos Jordy (PL-RJ), Sargento Gonçalves (PL-RN), Zé Trovão (PL-SC), Coronel Tadeu (PL-SP) e Zucco (PL-RS).

Senadores: Magno Malta (PL-ES).
Deputados estaduais: Lucas Polese (PL-ES), Gilberto Cattani (PL-MT), Marcio Gualberto (PL-RJ) e Capitão Martim (PL-RS).

Vereadores: Fernando Holiday (SP), Lucas Pavanato (SP), Thiago Medina (Recife-PE), Rony Gabriel (Erechim-RS) e Rafael Satiê (RJ).

Outras figuras: O desembargador aposentado Sebastião Coelho, o ex-deputado Douglas Garcia e o influenciador Pedro Pôncio, com presença confirmada na manifestação final em Brasília no dia 25.

Além dos parlamentares, civis e apoiadores comuns têm se unido à marcha de forma espontânea.
Relatos nas redes sociais mostram grupos de dezenas de pessoas caminhando ao lado de Ferreira, com bandeiras do Brasil e cartazes pedindo "liberdade" e o fim da "perseguição política".

Embora não haja um número oficial de participantes civis, vídeos e postagens indicam uma adesão crescente ao longo do percurso, com cidadãos locais oferecendo água, comida e incentivo.

Ferreira tem compartilhado atualizações em tempo real no Instagram e X (antigo Twitter), destacando o "espírito cívico" e a "mobilização popular", reminiscentes das manifestações de 2016 pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

O contexto da caminhada remete à polarização política no Brasil pós-2022. Os eventos de 8 de janeiro resultaram em centenas de prisões e condenações por crimes como dano ao patrimônio público e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Bolsonaro, condenado pela Primeira Turma do STF em junho de 2025, é acusado de orquestrar uma trama golpista para permanecer no poder após a derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ferreira argumenta que as penas são "desproporcionais" e que há "ativismo judicial" seletivo, enquanto critica a "paralisia psicológica" da sociedade diante de escândalos e impunidade.

A iniciativa, no entanto, divide opiniões. Aliados veem o ato como "corajoso" e necessário para combater o "autoritarismo disfarçado de legalidade". Críticos da esquerda, como os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Célia Xakriabá (PSOL-MG), classificam a marcha como "encenação" e "fuga do trabalho", ironizando que Ferreira, que recebe salário de R$ 46 mil mensais mais benefícios, usa o tempo para "defender bandidos" em vez de legislar.
O ato também é monitorado por autoridades, com ênfase em sua natureza pacífica, sem registros de incidentes até agora.

Ferreira, o deputado mais votado da história de Minas Gerais em 2022, usa a caminhada para reforçar sua imagem como líder jovem e combativo do bolsonarismo. Em carta aberta divulgada no início da marcha, ele afirmou: "A liberdade não se pede de joelhos; defende-se de pé".

Com a repercussão nas redes e na mídia, o ato pode culminar em uma grande manifestação em Brasília no dia 25, potencializando debates sobre justiça, liberdade de expressão e o futuro do bolsonarismo no Brasil. 


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