Em articulações nos bastidores do Legislativo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou claramente que não há condições para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva dedicada ao caso Banco Master. Durante encontro com líderes partidários para definir a agenda da Casa, ele e outros representantes argumentaram que o regimento interno da Câmara impede a abertura imediata, devido à existência de diversos requerimentos e CPIs já em tramitação que ocupam posições prioritárias na fila.
A sinalização deixou evidente entre os participantes que o colegiado não deve ser criado no momento. Essa posição intensificou as cobranças direcionadas ao presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), para que autorize a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), envolvendo deputados e senadores. Interlocutores relatam que Alcolumbre comunicou a aliados sua intenção de avaliar o assunto apenas após o fim do recesso, na semana seguinte, sem apresentar qualquer indício de apoio à realização da investigação no âmbito do Congresso. Tanto Motta quanto Alcolumbre foram procurados, mas não se pronunciaram sobre o tema.
Parlamentares e especialistas destacam que uma CPMI enfrenta menos entraves regimentais, pois não depende de ordem de fila e pode ser ativada simplesmente com a leitura do requerimento em sessão deliberativa do Congresso. Na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou pedido de CPI com 193 assinaturas, superando o mínimo exigido de 171. Já no Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirma contar com mais de 27 apoios necessários. Para uma CPMI, há pelo menos dois requerimentos em circulação: um liderado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que já reuniu assinaturas suficientes de ambas as Casas, e outro apresentado pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), com apoio mínimo alcançado principalmente no Senado.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), reforçou a oposição à ideia em entrevista recente, declarando que, se depender de sua atuação, a CPI não será formada.
Alternativas já surgem para avançar na apuração: conforme revelado anteriormente, a CPI do Crime Organizado no Senado deve incorporar o caso Banco Master em suas investigações. Paralelamente, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) instituiu um grupo específico para acompanhar o tema e apresentar requerimentos, embora sem poderes para quebra de sigilo ou convocações.
O deputado Rodrigo Rollemberg classificou a falta de uma investigação aprofundada como “uma desmoralização para o Congresso”, afirmando que se trata do “maior escândalo de corrupção da história do País” e da “maior fraude bancária da história”, conforme as próprias palavras do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
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