Com Tarcísio de Freitas fora da corrida presidencial e o PSD de Gilberto Kassab posicionando-se com candidatura própria, o Republicanos entra em 2026 dividido entre aproximar-se da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e preservar a relação com o governo Lula, mantida por parte importante da direção partidária.
A ambiguidade reflete alianças regionais consolidadas no atual mandato: em alguns estados, o partido se aproxima de bolsonaristas; em outros, como Pernambuco, permanece atrelado ao petismo por meio de figuras como o ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), que deve deixar o cargo em breve para disputar o Senado. Em dezembro de 2025, Costa Filho declarou à CNN que atuaria para mobilizar legendas de centro em favor da reeleição de Lula: “Vou trabalhar para que os partidos do centro possam ajudar no projeto de reeleição do presidente Lula”.
Em São Paulo, principal reduto da sigla, há expectativa de fortalecimento com Tarcísio. Deputados e vereadores avaliam o governador como favorito à reeleição e veem como estratégico seguir sua orientação de apoio a Flávio. Na semana passada, Tarcísio nomeou Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, para a Casa Civil, gesto interpretado como tentativa de unificar o centro-direita paulista em torno dele. Um dirigente do partido afirmou sob reserva que “Carneiro deve alinhar toda a centro-direita paulista em torno do governador”, o que naturalmente levaria a legenda a acompanhar os planos nacionais traçados por Tarcísio.
Apesar disso, o cenário permanece em aberto para alguns parlamentares paulistas, que consideram a candidatura de Flávio ainda incerta e preferem ver Tarcísio na disputa presidencial. No entanto, o apoio ao PSD é visto como improvável: além das dúvidas sobre a viabilidade de uma candidatura da legenda chegar ao segundo turno, há atritos recentes entre Marcos Pereira (presidente nacional do Republicanos) e Kassab.
Em 2024, Pereira concorreu à presidência da Câmara com apoio de Arthur Lira (PP-AL) e do PT, mas Kassab defendeu Antonio Brito (PSD-BA) e não cedeu. Sem acordo, Lira indicou Hugo Motta (Republicanos-PB), que venceu. Após a derrota, Pereira criticou Kassab em entrevista à Folha: “Disse a ele [Kassab]: ‘se você me apoiar, vou ser eternamente grato e devedor a você. Se você não me apoiar, eu também vou lembrar, todas as vezes que olhar para você, que não fui presidente da Câmara por sua causa’”.
O Republicanos, nascido em 2005 como PMR e ligado à Igreja Universal, tem 44 deputados federais (quinta maior bancada) e perfil pragmático semelhante ao PSD (47 deputados, quarta maior). Ambas as siglas indicaram ministros para o governo Lula e controlam governos importantes, o Republicanos via Tarcísio em São Paulo.
Marcos Pereira evita definições precoces: “Nada certo ainda. Teremos que conversar com o partido e ver o sentimento da maioria”, disse à Folha. Pelo calendário do TSE, o registro de candidaturas vai até 15 de agosto, permitindo adiamento das decisões.
Na quarta-feira (28), em sua primeira entrevista como filiado ao PSD, o governador de Goiás Ronaldo Caiado (pré-candidato ao Planalto ao lado de Eduardo Leite e Ratinho Jr.) afirmou buscar apoio do Republicanos para construir alternativa de centro-direita que não seja Flávio. Na quinta (29), ao deixar visita a Jair Bolsonaro na Papudinha, Tarcísio relatou que o ex-presidente endossou o movimento de Caiado e que todos estariam contra Lula em eventual segundo turno.
A estratégia do Republicanos equilibra flerte com o bolsonarismo via Flávio e preservação de canais com o Planalto, sem rompimento definitivo com Lula, em meio à consolidação do PSD como opção independente no tabuleiro de 2026.
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