CPI do Crime Organizado no Senado decide não avançar com quebra de sigilo do escritório da esposa de Alexandre de Moraes

Parecer da Advocacia do Senado apontou inviabilidade jurídica e evitou confronto institucional com o STF; requerimentos de senadores da oposição foram arquivados sem votação
Por: Brado Jornal 26.fev.2026 às 08h10
CPI do Crime Organizado no Senado decide não avançar com quebra de sigilo do escritório da esposa de Alexandre de Moraes
Sérgio Lima/Poder360
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, optou por não prosseguir com pedidos de quebra de sigilo envolvendo o escritório de advocacia Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A decisão foi tomada nesta terça-feira (25 de fevereiro de 2026), conforme confirmado pela assessoria do presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

Dois requerimentos protocolados pelos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE) buscavam acesso a relatórios de inteligência financeira do Coaf, além de quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa no intervalo de 1º de janeiro de 2022 a 27 de janeiro de 2026.
Os pedidos se baseavam em um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório e o Banco Master, com alegações de possíveis indícios de lavagem de dinheiro na transação.

No entanto, um parecer técnico emitido pela Advocacia do Senado concluiu que a medida não era recomendável do ponto de vista jurídico nas condições apresentadas. O documento destacou que, embora a CPI tenha poderes instrutórios semelhantes aos de autoridades judiciais, incluindo a possibilidade de decretar quebras de sigilo, essas prerrogativas não são ilimitadas. Elas devem respeitar restrições constitucionais e legais, como a inviolabilidade dos escritórios de advocacia prevista no artigo 7º da Lei 8.906 (Estatuto da Advocacia), que protege o sigilo profissional nas relações entre advogados e clientes.

A orientação jurídica foi seguida pela presidência da CPI, que retirou os requerimentos de pauta e evitou submetê-los a votação. Nos bastidores, parlamentares avaliaram que aprovar tais medidas poderia gerar um embate institucional com o STF, que possui jurisprudência consolidada contra invasões indevidas em escritórios advocatícios.
Exemplos incluem decisões de junho de 2025 (em ação da OAB-RJ) e casos anteriores, nos quais a Corte invalidou ações semelhantes por violarem o sigilo profissional, salvo ordem judicial específica.

A avaliação política também considerou que, após a CPI já ter aprovado quebra de sigilo de fundo ligado ao ministro Dias Toffoli, abrir outra frente contra o Supremo não seria conveniente no momento.Contarato reforçou em sessão que as ações da comissão devem observar os mesmos limites impostos a juízes, priorizando a legalidade. Com isso, os pedidos foram efetivamente barrados sem deliberação em plenário, mantendo o foco da CPI em outras frentes de investigação sobre crime organizado. 


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Deputado federal Amom Mandel protocola PEC para transformar vereadores de cidades pequenas em conselheiros sem salário fixo
Proposta prevê que vereadores de municípios com até 30 mil habitantes recebam apenas ajuda de custo por sessão, sem remuneração mensal fixa
Renan Santos lota evento para lançamento de pré-candidatos no Maranhão
Pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Missão realiza ato em Imperatriz com grande público presente
Ronaldo Caiado deixa governo de Goiás com ao menos 10 parentes em cargos
Ex-governador afirma que todas as nomeações seguem a lei e foram aprovadas pela Procuradoria-Geral do Estado.
Alexandre Ramagem é detido por autoridades migratórias nos Estados Unidos
Ex-deputado cassado é preso pelo ICE em Orlando por questões migratórias enquanto estava foragido da Justiça brasileira.
Carregando..