Na tarde desta quinta-feira (26), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), recebeu uma comitiva de parlamentares da base aliada ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na residência oficial da Casa e comunicou que examinará com atenção um eventual pedido formal para invalidar a quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
A medida foi aprovada em bloco, por votação simbólica, durante sessão tumultuada da CPI do INSS, que analisava esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. O pacote incluiu 87 requerimentos, entre eles o do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que autorizou a quebra para investigar suposto recebimento indireto de valores ligados ao lobista Antônio Camilo, o "Careca do INSS", acusado de facilitar fraudes e de ter ordenado pagamento de R$ 300 mil a uma empresária próxima a Lulinha.
A oposição conseguiu aprovar o texto sem contagem nominal de votos, pois uma verificação eletrônica anterior já havia sido realizada. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou a aprovação diante da ausência de protestos expressivos, apesar de governistas afirmarem possuir maioria na CPI. A sessão terminou em confusão física: parlamentares se envolveram em empurrões e trocas de socos, com o deputado Luiz Lima (Novo-RJ) relatando ter sido agredido e o deputado Rogério Correia (PT-MG) admitindo ter acertado alguém involuntariamente ao ser empurrado, pedindo desculpas depois.
Governistas contestam o resultado, alegando irregularidades na condução e na contagem dos votos, e planejam protocolar representação à Mesa Diretora do Senado com provas como vídeos, fotos e imagens da sessão. Alcolumbre orientou que o pedido seja acompanhado de evidências e que a análise seja feita pela Advocacia do Senado, pela Polícia Legislativa e pela Secretaria-Geral da Mesa, com base no Regimento Interno. Se aceita, a anulação atingiria todos os requerimentos aprovados na sessão.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), coordenador da bancada governista na CPI e um dos que se reuniu com Alcolumbre, anunciou que apresentará denúncia contra Carlos Viana no Conselho de Ética do Senado por suposta fraude na votação.
O governo descartou, por ora, recorrer ao Judiciário, apostando na decisão interna do presidente do Senado. A CPI solicitou prorrogação de seus trabalhos ao presidente da Casa. A quebra de sigilo de Lulinha integra investigações sobre possível ligação com o esquema de fraudes no INSS, que já resultou em operações policiais e quebras em outros casos
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