O fundador e principal controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, deu sinais claros de que pretende firmar um acordo de delação premiada abrangente. Desde a confirmação de sua prisão preventiva pela maioria dos ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, o banqueiro passou a articular, por meio de sua defesa, uma colaboração que não exclua nomes ou minimize responsabilidades.
O advogado José Luis Oliveira Lima, recém-contratado para integrar a equipe de defesa, contatou nos últimos dias membros da força-tarefa investigativa para transmitir a disposição do cliente. A mensagem central é que Vorcaro está preparado para uma “delação séria”, sem blindagens ou omissões em relação a pessoas que possam estar envolvidas no esquema sob apuração.
A movimentação ocorre em cenário de intensa pressão política. Nos últimos dias, parlamentares e figuras do Centrão que mantiveram relações comerciais ou financeiras com o banqueiro tentaram influenciar para que qualquer colaboração fosse seletiva, preservando aliados. Diante da resistência das autoridades – que deixaram claro não haver margem para acordos parciais ou protetores –, a defesa optou por demonstrar alinhamento total com as expectativas do Supremo e da Polícia Federal.
Fontes próximas às negociações indicam que o acordo deve ser costurado em conjunto pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, com supervisão direta do ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF. Essa configuração é vista como a mais provável no momento atual.
Outro fator que alimenta especulações no meio político e no mercado é o fato de José Luis Oliveira Lima também representar João Carlos Mansur, controlador da gestora Reag. De acordo com as investigações da PF, a Reag funcionou como um dos principais canais para distribuição de recursos supostamente desviados do Banco Master. O dinheiro teria sido direcionado para contas pessoais de Vorcaro e sócios, além de servir ao pagamento de políticos e autoridades.
A expectativa é de que os dois empresários avancem em uma delação conjunta, ampliando o alcance das revelações sobre o fluxo financeiro e as conexões políticas do esquema.
A prisão de Vorcaro foi mantida na última sexta-feira (13 de março de 2026) por três votos na Segunda Turma do STF: André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Gilmar Mendes ainda não se manifestou no processo. Dias Toffoli, que originalmente era o relator, afastou-se do caso em fevereiro após entrega de dossiê pela PF que apontou ligações entre o ministro e o banqueiro, declarando-se suspeito para atuar.
A delação em gestação pode representar ponto de virada nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias no sistema financeiro com indícios de conexões com organizações criminosas. A postura anunciada por Vorcaro sugere que o banqueiro busca, por meio da colaboração, atenuar sua situação processual em um contexto de forte cerco judicial.
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