O ministro da Casa Civil, Rui Costa, fez duras críticas à comunicação do governo federal durante reunião ministerial comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira. A cobrança ocorreu em um contexto de crescente insatisfação de governistas e petistas com o trabalho do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira.
Na abertura dos trabalhos, Rui Costa mencionou o nome de Sidônio pelo menos três vezes ao defender que o governo precisa informar melhor a população sobre suas propostas e resultados alcançados. Um participante da reunião descreveu o momento como de grande constrangimento para o chefe da Secom, interpretando as palavras como uma cobrança pública direta.
De acordo com relatos, Sidônio demonstrou desconforto e respondeu à altura, embora sua intervenção não tenha sido transmitida pela imprensa. Em uma das falas, Rui Costa expressou dúvida se o povo brasileiro realmente conhece as conquistas do atual governo.
“A minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso. Acho que a gente tem que colocar como foco comparar e mostrar. O povo tem o direito de conhecer esses números, esses dados, porque, repito, é a mudança da água para o vinho, de um deserto de governança para um governo que tem um líder que montou uma equipe para trabalhar e produzir esses resultados”, afirmou o ministro da Casa Civil.
Rui Costa citou Sidônio mais duas vezes ao tratar da resposta do Executivo a tragédias climáticas e das concessões e leilões promovidos pela gestão petista. Em um desses momentos, as imagens da transmissão mostraram a reação de Sidônio, que disse: “Eu vou responder”.
Na sua resposta, o ministro da Secom rebateu as críticas sem citar Rui Costa nominalmente e transferiu a responsabilidade pelos problemas de comunicação ao seu antecessor, o deputado Paulo Pimenta (PT), que ocupou o cargo entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. Sidônio argumentou que o governo deveria ter destacado desde o início as condições difíceis herdadas da gestão anterior, de Jair Bolsonaro (PL). Ele justificou que a legislação impede comparações diretas entre gestões em canais oficiais.
Interlocutores próximos a Paulo Pimenta contestaram a versão. O ex-ministro negou ter criado o primeiro slogan do governo, “União e Reconstrução”, e lembrou que a estratégia de evitar polarização na transição foi coordenada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
“Deve ser um mal entendido. O slogan ‘União e Reconstrução’ não foi criado por mim. A estratégia de não polarizar na transição, coordenada pelo Alckmin, não foi definida por mim. Sidônio não pensa isso e não diria isso. Tenho certeza que deve ser um mal entendido”, declarou Pimenta.
Atualmente, a comunicação do governo tem adotado uma linha mais agressiva, comparando as ações de Lula com as de Bolsonaro, inclusive com ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O próprio presidente tem usado esse tipo de comparação em discursos públicos, embora aliados questionem a efetividade da estratégia.
Durante a reunião, Sidônio pediu maior unidade entre os ministros antigos e os recém-empossados. Ele orientou que cada ministro grave ao menos um vídeo por dia para defender o governo e divulgar suas ações. O chefe da Secom também destacou marcas da gestão Lula 3, como os programas Pé de Meia e Mais Especialistas, além da proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Sidônio ainda anunciou que o governo produzirá vídeos regionais mostrando realizações em cada estado brasileiro para veiculação na mídia local. Como exemplo, exibiu o filme sobre São Paulo durante a reunião.
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