O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a expansão das apostas esportivas eletrônicas de quota fixa no país e defendeu sua proibição. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (8) ao canal ICL Notícias, Lula afirmou que, se depender dele, as bets serão fechadas, embora reconheça que a decisão final depende do Congresso Nacional.
Durante a entrevista, Lula manifestou preocupação com o nível de endividamento da população brasileira e apontou as bets como um fator que potencializa o problema. Ele relatou que o governo vem discutindo o tema internamente nas últimas semanas e questionou a utilidade do setor.
“Se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional, de discussão. Eu sei que elas financiam, não posso citar nomes, porque não sou juiz nem policial, mas todo mundo sabe quem são os deputados, os partidos, os senadores. Então não é possível continuar com essa jogatina desenfreada neste país”, declarou o presidente.
Lula acrescentou que o debate envolve avaliar se as bets causam o mal que se atribui a elas. “Faz 15 dias que estou discutindo esse negócio das bets. Tenho debatido exatamente isso: se elas causam o mal que a gente acha que causam, por que não acabar com as bets? Ou então regular para que não haja tantas no Brasil, se é que têm alguma serventia.”
O presidente rebateu o argumento de que o setor é essencial para o financiamento do futebol. “Dizem que o futebol não pode sobreviver sem as bets. Mas o futebol sobreviveu por mais de um século sem elas. Então, estamos tentando discutir isso.”
A fala ocorre em um contexto de elevado endividamento das famílias brasileiras. Em março, cerca de 80,4% das famílias tinham alguma dívida, segundo dados recentes, o maior patamar da série histórica desde 2010. O governo tem estudado medidas para conter o avanço do endividamento, incluindo propostas que envolvem restrições ao acesso a apostas por quem adere a programas de renegociação de dívidas.
Lula tratou o tema também como uma questão de saúde pública, associada ao vício em jogos e à promessa de ganhos rápidos que, na avaliação dele, leva as famílias a gastarem recursos que poderiam ser direcionados de outra forma.
A regulamentação das bets foi aprovada durante o governo Lula, com previsão de arrecadação tributária. Agora, o presidente sinaliza disposição para rever o modelo ou até extinguir as plataformas caso a regulamentação não seja suficiente para mitigar os impactos negativos.
A decisão sobre o futuro das apostas esportivas online permanece nas mãos do Legislativo, onde o tema deve ser debatido. O governo continua avaliando internamente as medidas mais adequadas para lidar com o endividamento e os efeitos das bets na sociedade.
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