Vereador rasga contracheque de professora durante protesto em Camaçari

Incidente ocorreu em sessão tumultuada na Câmara; educadores cobravam votação de reajuste salarial
Por: Brado Jornal 10.abr.2026 às 10h50
Vereador rasga contracheque de professora durante protesto em Camaçari
Foto: Assessoria/Camaçari
O vereador Jamesson (PL) protagonizou um momento de grande tensão na Câmara Municipal de Camaçari ao rasgar o contracheque de uma professora e jogar os pedaços na direção dela durante sessão realizada na tarde desta quinta-feira (9).

O ato aconteceu enquanto um grupo de professores da rede pública ocupava o plenário para pressionar os vereadores pela aprovação de um projeto de lei que prevê reajuste salarial da categoria. A presidente do Sindicato dos Professores e Professoras da Rede Pública Municipal de Camaçari (Sispec), Sara Santiago Carneiro, apresentou o contracheque ao parlamentar como forma de protesto pela demora na tramitação da proposta.

Em resposta, Jamesson rasgou o documento publicamente, gerando revolta entre os presentes e intensificando o clima de confusão na Casa. O gesto foi registrado em vídeo e se espalhou rapidamente nas redes sociais.

O projeto em discussão propõe aumentos que variam de 5,4% a 10,36%, dependendo da letra e do nível do profissional. A proposta, enviada pela Prefeitura após aprovação em assembleia da categoria em março, busca recompor perdas salariais acumuladas ao longo de quase dez anos por meio de ajustes no Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) e do piso nacional do magistério.

O sindicato classificou a atitude de Jamesson como “repugnante” e um ato de desrespeito, especialmente contra as mulheres, que formam a maioria da categoria. A entidade acusou o parlamentar de usar argumentos técnicos para retardar a votação.

Ao final da sessão, o presidente da Câmara, Niltinho Maturino (PRD), repudiou o episódio e afirmou que a Casa adotará as medidas cabíveis.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Jamesson negou qualquer intenção de impedir o reajuste. Ele argumentou que o projeto enviado pela Prefeitura contém “graves inconsistências”, incluindo pelo menos 13 pontos que precisam de correção antes de ser votado. O vereador afirmou que a Comissão de Finanças tem o dever de ajustar os erros e criticou o que chamou de “pressão política” por parte do sindicato e do Executivo.

O incidente ocorreu em meio à mobilização dos educadores, que reivindicam a aprovação rápida do reajuste para que ele seja pago ainda neste ano, inclusive com retroativos.


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