O ex-deputado federal cassado Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13 de abril) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). A detenção ocorreu em Orlando, na Flórida, por irregularidades migratórias, conforme confirmado pela Polícia Federal.
Ramagem encontrava-se foragido desde setembro de 2025, quando deixou o Brasil durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou a 16 anos de prisão por participação em esquema golpista. Ele cruzou a fronteira com a Guiana pela cidade de Bonfim, em Roraima, no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes votou pela sua condenação. De lá, seguiu para Miami, onde registrou entrada em 11 de setembro.
Após perder o mandato de deputado em dezembro de 2025, Ramagem também perdeu o passaporte diplomático. No final daquele mês, o Ministério da Justiça enviou pedido formal de extradição às autoridades americanas por meio da Embaixada do Brasil em Washington.
A Polícia Federal apurou que o ex-parlamentar viajou de carro até a fronteira, separada apenas por um rio, e embarcou sozinho para os Estados Unidos. Posteriormente, passou a morar no país com a esposa e os filhos.
Delegado de carreira da Polícia Federal, Ramagem comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre julho de 2019 e março de 2022, no governo Jair Bolsonaro. Ele integrou o núcleo próximo ao ex-presidente desde a campanha de 2018, quando coordenou a segurança pessoal de Bolsonaro.
Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor-geral da Polícia Federal. A indicação foi suspensa horas antes da posse pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido do PDT. A decisão baseou-se em declarações do então ministro da Justiça, Sergio Moro, que acusou o presidente de buscar interferir na PF para proteger o filho Flávio de investigações em curso. Segundo Moro, a intenção era colocar “alguém de contato pessoal” para obter informações sobre os inquéritos.
Com grande visibilidade, Ramagem foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2022, obtendo cerca de 59 mil votos. Em 2024, candidatou-se à Prefeitura do Rio pelo PL, com apoio da família Bolsonaro. Ele terminou em segundo lugar, com 30,81% dos votos, atrás de Eduardo Paes (PSD), que venceu no primeiro turno.
Em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassou seu mandato após a condenação pelo STF no caso da trama golpista.
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