Ronaldo Caiado deixa governo de Goiás com ao menos 10 parentes em cargos

Ex-governador afirma que todas as nomeações seguem a lei e foram aprovadas pela Procuradoria-Geral do Estado.
Por: Brado Jornal 13.abr.2026 às 11h06
Ronaldo Caiado deixa governo de Goiás com ao menos 10 parentes em cargos
Créditos: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Ronaldo Caiado (PSD) encerrou seu mandato como governador de Goiás em 31 de março de 2026, mas deixou para trás uma folha de pagamento estadual com pelo menos 50 pessoas que compartilham o sobrenome Caiado. Juntas, elas recebem mais de R$ 650 mil por mês, entre comissionados, efetivos, temporários, aposentados, pensionistas e reformados.

Levantamento identificou ao menos 10 parentes ocupando funções comissionadas no governo, cargos de confiança, direção ou assessoramento preenchidos sem concurso público. Desses, nove são primos do ex-governador e um é marido de prima. Outros três familiares atuam em entidade parceira do estado.

Entre os nomes estão:
  • Adriano da Rocha Lima, primo, assessor na Secretaria de Relações Institucionais e cotado para vice na chapa do atual governador Daniel Vilela (MDB);
  • Andrea Parrode da Rocha Lima Dantas, prima, chefe de gabinete na Secretaria de Estado de Esporte e Lazer;
  • Juliana Ramos Caiado, prima, assessora especial na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social;
  • Jorge Luiz Ramos Caiado Júnior, primo, chefe de gabinete na Secretaria de Estado da Administração;
  • Paulo Henrique Caiado Canedo, primo, conselheiro do Conselho Administrativo Tributário (CAT) e assessor na Assembleia Legislativa;
  • Cesar Augusto de Sotkeviciene Moura, marido de prima, que chegou a ser secretário de Estado da Retomada.
Outros primos ocupam posições na Secretaria de Segurança Pública, na Superintendência de Reintegração Social da Polícia Penal, na governadoria, na Secretaria de Saúde e na Secretaria da Administração.

Na Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), entidade que recebe repasses estaduais e teve aumento de 70% nos recursos (de R$ 434 milhões para R$ 738 milhões no período 2025-2026), também há parentes próximos. Adryanna Leonor Melo de Oliveira Caiado, casada com primo de Caiado, ocupa cargo de diretora-geral da OVG com salário de R$ 40,5 mil, além de atuar em conselhos de empresas como Goiás Parcerias e Saneago, somando R$ 67,6 mil mensais. Sobrinha e sobrinho de Gracinha Caiado (ex-primeira-dama) também ocupam cargos na entidade.

Caiado defendeu as nomeações, afirmando que todas foram analisadas pela Procuradoria-Geral do Estado e estão em conformidade com a legislação e com a súmula vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que trata de nepotismo. Segundo ele, os servidores possuem qualificação técnica adequada e exercem funções sem irregularidades.

Especialistas lembram que primos são parentes de quarto grau e, portanto, não são alcançados diretamente pela definição de nepotismo do STF (que abrange cônjuges, companheiros e parentes até terceiro grau em cargos de confiança). No entanto, nomeações podem ser questionadas na Justiça por eventual violação de princípios como moralidade, impessoalidade e eficiência administrativa. O STF permite nomeações de parentes em cargos políticos de alto escalão, como secretários de Estado.

Gracinha Caiado, que era presidente de honra da OVG em cargo voluntário, destacou o trabalho social desenvolvido pela entidade, como programas de distribuição de alimentos e acolhimento a vulneráveis. Ela é pré-candidata ao Senado pelo União Brasil.

A permanência de familiares em funções públicas após o fim do mandato reacende o debate sobre nomeações de parentes em governos estaduais, mesmo dentro dos limites legais.


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