O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu recomendações para esperar a calmaria política antes de indicar um novo nome para o Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados próximos sugerem que o clima atual não é favorável a uma nova tentativa, embora ainda não haja definição se ele seguirá esse conselho.
Após a inédita derrota da indicação de Jorge Messias, aprovado pelo governo para ocupar vaga no STF, Lula demonstrou forte insatisfação. Em diálogos com ministros do Judiciário na semana passada, o presidente usou termos duros, classificando como “filhos da p.” aqueles que atuaram para derrubar o nome de Messias. Ele acredita que a articulação contrária não partiu apenas do
presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e estende a cobrança a quem acompanhou o resultado sem intervir.
Entre os nomes que perderam prestígio está o ministro da Justiça, Wellington César. Ele assumiu o cargo em janeiro, substituindo Ricardo Lewandowski, mas foi considerado pouco atuante na defesa de Messias. Indicado pelo PT baiano, Wellington César corre risco de ser substituído pelo próprio Messias como retaliação. Se confirmada, seria a terceira troca no Ministério da Justiça no atual governo, após as saídas de Flávio Dino e Lewandowski.
Especialistas e membros do governo alertam que mudanças frequentes na pasta prejudicam a continuidade das políticas de segurança pública. O tema deve ganhar relevância nas próximas eleições, mas o Executivo ainda não apresenta avanços consistentes na área.
Outros possíveis candidatos ao STF também demonstram cautela. O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, evita demonstrar entusiasmo quando questionado sobre o cargo. Ele ressalta que a rotina atual no TCU se adapta melhor ao seu momento, sinalizando desconforto com o desgaste político recente. Segundo relatos, Lula atribui parte da rejeição a Messias a uma estratégia do MDB para viabilizar o nome de Dantas.
Outra cotada é a ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Apesar da pressão crescente para indicar uma mulher, atualmente apenas Cármen Lúcia integra a Corte como ministra, há ressalvas ao nome dela. Em conversa recente com Lula, Daniela teria reclamado de receber menos que colegas no STJ, informação que o presidente repassou, mas que foi desmentida por assessores.
O ambiente no Palácio do Planalto é de cobrança interna. Lula cobra maior mobilização dos aliados para evitar novas derrotas em temas sensíveis. Enquanto isso, a temperatura política permanece elevada, o que reforça a orientação para adiar a nova indicação ao Supremo.
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